Governo cria carreira civil no Ministério da Defesa para reduzir militarização histórica da pasta, diz Dweck

Nova estrutura prevê reforço de servidores e permitirá atuação conjunta nos ministérios da Defesa e da Justiça

O Ministério da Defesa passará a contar com um aumento no número de servidores civis a partir da criação de uma carreira específica para a área, segundo informou a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, à coluna de Míriam Leitão no jornal O Globo. A mudança marca, de acordo com a ministra, a primeira vez em que cargos civis estruturados são instituídos formalmente na pasta, tradicionalmente ocupada majoritariamente por militares.

A nova carreira permitirá que os servidores aprovados em concurso público atuem tanto no Ministério da Defesa quanto no Ministério da Justiça, dentro de um modelo considerado transversal pelo governo. A proposta, segundo Dweck, responde a uma avaliação de que a pasta da Defesa, embora criada como um ministério civil, manteve ao longo dos anos um perfil excessivamente militarizado.

Uma mudança estrutural inédita

Ao explicar a decisão, a ministra lembrou que o Ministério da Defesa foi criado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, mas nunca havia estruturado uma carreira civil própria.

“No ano passado, foi criada uma carreira civil no Ministério da Defesa. O Ministério da Defesa foi criado no governo Fernando Henrique, um ministério civil, mas não tinha uma carreira civil. Era muito militarizado. E o ministro Múcio disse que era importantíssimo ter uma carreira civil. Dialogamos com ele: “ministro, não vamos criar uma carreira só para o Ministério da Defesa, vamos fazer uma transversal: Defesa e Justiça”, disse a ministra.

Segundo Dweck, a iniciativa contou com o apoio do atual titular da Defesa, José Múcio, que defendeu a necessidade de ampliar a presença de servidores civis na formulação e na execução de políticas estratégicas da pasta.

Atuação transversal entre ministérios

O desenho adotado pelo governo prevê que os novos servidores façam parte de uma carreira transversal, com possibilidade de alocação tanto na Defesa quanto no Ministério da Justiça. A proposta segue um modelo já existente na administração federal, no qual carreiras são geridas de forma centralizada, mas com atuação em diferentes órgãos.

Para a ministra, esse formato oferece maior flexibilidade e eficiência ao serviço público, permitindo ajustes conforme as necessidades de cada área ao longo do tempo.

Olhar para o futuro do serviço público

Dweck afirmou que a reestruturação das carreiras está ligada a uma visão de longo prazo sobre a administração pública e às transformações em curso no Estado brasileiro, especialmente no campo digital e organizacional.

“Hoje em dia há oito carreiras transversais que basicamente cobrem todo o espectro de políticas importantes. Sabemos que o serviço público está em processo de transformação, além de uma transformação digital. Uma pessoa hoje que está alocada no ministério pode não mais ser necessária nos 5, 10 anos. Pode ir para outro, porque é uma carreira transversal. E são geridas pelo Ministério da Gestão, mas atuam em vários ministérios”, explicou.

Segundo a ministra, esse modelo permite que o governo aproveite melhor os quadros técnicos disponíveis, realocando servidores conforme as prioridades do Estado mudam ao longo do tempo. A expectativa é que a nova carreira contribua para modernizar a gestão pública e fortalecer áreas estratégicas, como defesa e segurança, com maior diversidade de perfis profissionais.

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