O jornal carioca O Globo defendeu, em editorial publicado nesta quinta-feira (26), a realização de eleição direta para escolher o novo governador do Rio de Janeiro, após a renúncia de Cláudio Castro na véspera de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral. A posição de O Globo colide com a manifestação da Corte eleitoral que decidiu pela eleição indireta. Com base em opiniões de juristas, o jornal confronta a deliberação unânime dos magistrados do TSE.
Segundo o texto, intitulado “Sucessor de Castro deveria ser escolhido em eleição direta”, a saída do cargo antes da análise da cassação criou um cenário de incerteza institucional e abriu debate jurídico sobre o modelo de escolha do novo chefe do Executivo estadual.
A Constituição estadual prevê eleição indireta em caso de renúncia, a ser conduzida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. No entanto, o editorial destaca que juristas consideram inadequada essa solução diante da “manobra” adotada pelo ex-governador para evitar punições mais severas.
Juristas defendem voto popular para garantir legitimidade
De acordo com o editorial de O Globo, especialistas apontam que o caminho mais adequado seria consultar diretamente a população. “Para reforçar a legitimidade, o mais adequado é consultar o povo, por meio de eleição direta”, afirmou o jurista Álvaro Palma de Jorge, da FGV, citado no texto.
O argumento central é que a eleição direta é a regra quando há afastamento do governador a menos de seis meses do fim do mandato — cenário que, na avaliação dos juristas, se aproxima do caso atual, ainda que formalmente tenha ocorrido renúncia.
Ainda segundo o jornal, “o pleito direto beneficiaria a população, e não quem tentou burlar as regras”, reforçando a crítica à estratégia adotada por Castro às vésperas do julgamento.
Renúncia não evitou inelegibilidade até 2030
O editorial também destaca que a tentativa de escapar das consequências jurídicas não surtiu o efeito desejado. A maioria do Tribunal Superior Eleitoral decidiu manter a inelegibilidade de Cláudio Castro até 2030, por abuso de poder político e econômico.
A Corte entendeu que a renúncia não elimina as penalidades, embora tenha afastado a análise da cassação, já que o político não ocupava mais o cargo. Com isso, foi mantida a orientação pela eleição indireta.
O editorial ressalta que, caso Castro tivesse permanecido no cargo e fosse cassado, “como era provável”, a eleição para substituí-lo deveria ser direta.
Crise política e histórico pesam no cenário fluminense
O texto também menciona a crise institucional no estado e questiona a capacidade da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de conduzir um processo legítimo. “A crise na Alerj compromete a capacidade de ela promover uma eleição indireta com a necessária legitimidade democrática”, diz o editorial.
Além disso, relembra episódios históricos de tentativas frustradas de evitar punições, como o caso de Fernando Collor, que renunciou antes do impeachment em 1992, mas ainda assim teve a condenação mantida.
Para o jornal, a sucessão de escândalos envolvendo governadores do estado agrava o cenário político e reforça a necessidade de uma solução com maior respaldo popular.
Editorial conclui que eleição direta é melhor saída para o Rio
Na avaliação final, o editorial de O Globo sustenta que a melhor alternativa para o estado seria permitir que os eleitores escolham diretamente o novo governador até a eleição regular de outubro.
“O melhor para o Rio seria a eleição direta. Os eleitores — e não os deputados — deveriam escolher o futuro governador”, afirma o texto.
Apesar disso, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu manter a interpretação pela eleição indireta, mesmo reconhecendo que houve tentativa de contornar a legislação.






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