Desde a morte do Papa Francisco na manhã da última segunda-feira de Páscoa, uma comoção sem precedentes tomou conta da Praça São Pedro, no Vaticano. Em três dias de velório com acesso aberto ao público, mais de 90 mil fiéis vindos de diversas partes do mundo prestaram suas últimas homenagens ao líder da Igreja Católica. O corpo do pontífice foi exposto diante do altar da Basílica de São Pedro, sob forte esquema de segurança e em meio a uma atmosfera de reverência.
A reportagem é do jornal O Globo, com depoimentos adicionais publicados pelo New York Times, AFP e BBC.
Poucos dias antes de sua morte, Francisco ainda aparecera na sacada da Basílica, onde, mesmo fragilizado e em cadeira de rodas, abençoou a multidão durante a missa de Páscoa. O contraste entre aquela imagem recente e sua ausência atual impactou profundamente os fiéis. “Vê-lo ontem e hoje saber que morreu foi um choque”, disse Simona Bernardini Picasso, 60 anos.
Outros, como a italiana Maria Teresa Volpi, de 80 anos, destacaram o vínculo que Francisco construiu com o povo: “Ele era um de nós, um Papa do povo”.
Para muitos, o Papa argentino representava uma voz ativa em defesa dos marginalizados. A americana Auriea Harvey, 53 anos, convertida ao catolicismo e batizada pelo próprio Francisco em 2023, lembrou quando ele criticou as deportações nos Estados Unidos: “Ele se posicionou quando ninguém mais fazia isso. Estou profundamente triste”, afirmou.
O velório foi marcado por cânticos cristãos, orações silenciosas e passagens bíblicas lidas por pequenos grupos. A entrada na Basílica, sob proibição de uso de celulares, revelou cenas de intensa emoção. “Foi um momento breve, mas intenso ao lado do corpo dele”, declarou Massimo Palo, 63.
O caixão de madeira, forrado de seda vermelha, mostrava Francisco com as vestes papais, mitra branca, batina vermelha e um terço entre as mãos. Para Pino Caporale, 64, que trabalha em uma cozinha solidária em Roma, o sentimento é de perda profunda: “Os marginalizados perderam a sua voz. Francisco foi o Papa dos pobres, dos migrantes, dos encarcerados”.
As homenagens vieram de diferentes cantos e gerações. As jovens argentinas Florencia Soria e Ana Sofia Alicata, ambas de 26 anos, aguardavam sob chuva para entrarem na Basílica. A francesa Margaux, dona de um bar próximo à Praça São Pedro, destacou: “Vi ele algumas vezes aqui, sempre com um sorriso lindo, uma mensagem de amor. Gosto muito dele”.
A freira filipina Marcedita Placio Saboga-a, emocionada diante do caixão, resumiu o sentimento de gratidão: “Ele é um modelo para nós, servos de Deus. Rezo para que tenhamos um representante da Ásia, mas só Deus sabe”.
O padre escocês Mark Cassidy, reitor do Pontifício Colégio Escocês, compartilhou uma lembrança pessoal: “Durante um encontro privado, ele demonstrou atenção aos detalhes e às pessoas. Dois meses depois, ele me reconheceu e perguntou sobre a mudança do colégio. Isso mostra quem ele era”.
Enquanto a Igreja se prepara para a escolha do próximo Papa, os relatos mostram que a figura de Francisco permanecerá viva na memória de muitos como um líder próximo, humano e comprometido com os que mais precisam.





