Exército também contratou programa de monitoramento usado pela Abin para fazer espionagem ilegal

Na operação Última Milha, a Polícia Federal obteve evidências de que o Exército também contratou o software israelense usado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) num esquema ilegal de monitoramento de adversários do governo Bolsonaro. A informação é de Malu Gaspar, em seu blog no Globo. Os documentos com essas informações foram coletadas pela PF…

Na operação Última Milha, a Polícia Federal obteve evidências de que o Exército também contratou o software israelense usado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) num esquema ilegal de monitoramento de adversários do governo Bolsonaro. A informação é de Malu Gaspar, em seu blog no Globo. Os documentos com essas informações foram coletadas pela PF ao cumprir um mandato de busca e apreensão em Florianópolis (SC), onde está a sede da empresa Cognyte, que fornece o programa de monitoramento.

A PF cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e prendeu dois ex-agentes da Abin no âmbito da operação Última Milha. Outros 20 suspeitos de operar o mecanismo de forma irregular também são investigados. Todos os suspeitos foram intimados para prestar depoimentos simultâneos na sede da PF em Brasília.

O programa First Mile, que permite rastrear a localização das pessoas por meio dos metadados fornecidos pelas antenas de celular a torres de telecomunicações, é uma das ferramentas de espionagem fornecidas pela empresa israelense.

Em março, o GLOBO revelou que o software vinha sendo usado para monitorar a localização de milhares de pessoas sem autorização judicial, sob a alegação de necessidade por “segurança de Estado”. Na época, a Abin era comandada por Alexandre Ramagem, atual deputado federal do Rio de Janeiro pelo PL.

O diretor de operações da Abin, na época, era Paulo Maurício Fortunato, que continuou na agência no governo Lula como diretor de logística – responsável justamente pelas compras de sistemas operacionais. Nas buscas de hoje, a PF encontrou US$ 171 mil em espécie na casa de Fortunato.

Durante as investigações, a PF constatou que os jornalistas, advogados, servidores públicos e políticos vistos como adversários de Bolsonaro foram vigiados sem autorização judicial. Há suspeita inclusive de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estivessem sendo espionados.

Na operação deflagrada na manhã desta sexta-feira, a PF constatou que, entre 2019 e 2021, a Abin realizou mais de 33 mil monitoramentos com o programa First Mile.

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