O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Saulo Moura Cunha afirmou à CPI do 8 de Janeiro que mandou alertas por WhatsApp para o então ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Gonçalves Dias, sobre a possibilidade de uma ação extremista como a que de fato acabou ocorrendo.
De acordo com Cunha, que estava à frente da Abin quando a ação extremista ocorreu, o registro de que GDias havia recebido os alertas chegou a ser formalizado em uma planilha. Depois, este documento foi arquivado, por ordem do próprio GDias, segundo o ex-diretor da Abin.
— Fiz os dois relatórios. O primeiro numa planilha que continha os alertas encaminhados pela Abin a grupos e continha também os alertas encaminhados por mim pessoalmente, do meu telefone, ao ministro-chefe do GSI. Entreguei essa planilha ao ministro, e ele determinou que fosse retirado o nome dele dali, porque não era o destinatário oficial daquelas mensagens. Que ali fosse mantido apenas as mensagens encaminhadas para os grupos de WhatsApp. Ele determinou que fosse feito, eu obedeci a ordem.
De acordo com o oficial de inteligência, o documento foi arquivado na Abin em caso de necessidade de “consulta futura”. Ele refutou que tenha adulterado informações e reiterou que a mudança ocorreu por ordem do então ministro.
— Não houve da minha parte interesse em esconder informação, tanto que apresentei ao ministro. Cabe ao ministro decidir se encaminha ou não aquela informação. Da parte da Abin, não houve nenhuma iniciativa em esconder que o ministro recebeu informações. E ele recebeu essas informações de mim.
Em outro trecho do depoimento, ele afirmou que a agência mandou alertas em série sobre os riscos de uma ação extremista como a que acabou ocorrendo.
— De 2 de janeiro até o fim do dia 8, a Abin produziu 33 alertas de inteligência, que não são relatórios. Relatório é documento estratégico, passa por processamento. Nesses alertas, falamos que hpuve detecção de estímulo a invasões e pessoas que se diziam armadas. A gestão anterior entregou (em 2022) relatório ao governo de transição e ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) falando sobre a presença de atores extremistas nos movimentos em frente aos quartéis.
A alteração provocou a existência de relatórios com informações distintas sobre os destinatários dos alertas: um com e outro sem o nome de GDias. Em depoimento à comissão da Câmara Legislativa do DF que investiga os atos, em junho, o ex-ministro negou adulteração.
— A Abin respondeu (a solicitação do Congresso) com um compilado de mensagens de aplicativo, em que tinha dia e tempo, na coluna do meio o acontecido e na última coluna a difusão. Esse documento tinha lá ‘ministro do GSI’. Eu não participei de nenhum grupo de WhatsApp, eu não sou o difusor daquele compilado de mensagens. Então aquele documento não condizia com a realidade. Esse era um documento. Ele foi acertado e enviado — disse o general na ocasião.
Com informações do GLOBO.





