À PF, delegado Rivaldo Barbosa nega ter planejado morte de Marielle e afirma não conhecer os irmãos Brazão

Realização do depoimento foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após Barbosa enviar-lhe uma súplica em um bilhete

O ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, negou nesta segunda-feira (3) ter planejado o assassinato da vereadora Marielle Franco e atuado para proteger os supostos mandantes do crime — o deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Domingos Brazão.

O delegado prestou depoimento à Polícia Federal, na Penitenciária Federal de Brasília. De acordo com o advogado Marcelo Ferreira, que representa Barbosa, o delegado respondeu a todas as perguntas dos investigadores:

– Ele nunca esteve com essas pessoas, não conhece essas pessoas. Ele entregou o celular dele para a Polícia Federal com todas as senhas e isso nunca foi levado em consideração. Cadê as conversas que teria tido com ele? Se foi combinado um ano antes que ele receberia um valor para poder não investigar um crime que aconteceria no futuro, cadê qualquer elemento em relação a isso? Não tem, a Polícia Federal não conseguiu trazer isso e ficou muito claro no depoimento que realmente ele nunca teve contato com ninguém.

A realização do depoimento foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após Barbosa enviar-lhe uma súplica em um bilhete. Na intimação entregue por um oficial de justiça, ele escreveu: “Ao Exmo. Ministro, por misericórdia, solicito que V.Exa. faça os investigadores me ouvirem, pelo amor de Deus”.

Cerca de um mês atrás, Barbosa já havia pedido a Moraes para prestar depoimento à PF. Na ocasião, em petição ao STF, ele afirmou que ainda não havia sido ouvido pelos investigadores, mesmo com ordem judicial.

Além do delegado, Domingos Brazão e seu irmão, Chiquinho Brazão, foram alvos dos mandados de prisão preventiva cumpridos em 24 de março. No último dia 10, eles foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Todos os envolvidos negam os crimes.

O delegado também solicitou ao STF que sua mulher fosse ouvida. Segundo a PF, ela teria utilizado empresas de fachada para supostamente lavar dinheiro, atuando como “testa de ferro” de Barbosa.

Em um acordo de delação premiada firmado com a PF e a Procuradoria-Geral da República, o ex-policial militar Ronnie Lessa relatou que, no segundo trimestre de 2017, Chiquinho, então vereador do Rio, demonstrou “descontrolada reação” à atuação de Marielle para “apertada votação do projeto de Lei à Câmara número 174/2016”.

Com o projeto, ele e o irmão buscariam a regularização de um condomínio inteiro na região de Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, sem respeitar o critério de área de interesse social, visando obter o título de propriedade para especulação imobiliária.

Nos depoimentos, Lessa ainda relatou que Rivaldo Barbosa foi uma peça-chave para que os homicídios fossem consumados a mando dos irmãos Brazão.

Ao delegado, caberia garantir uma espécie de imunidade aos envolvidos, ou seja, de alguma forma, o inquérito que se sucederia não poderia chegar nos responsáveis pela empreitada criminosa.

Na denúncia apresentada, a PGR afirma que “a ordem para executar os homicídios foi dada por Domingos e Chiquinho” e que os dois defendiam os interesses de milícias “junto às instituições de Estado”. Os irmãos também foram denunciados por organização criminosa.

O documento aponta que os irmãos informaram sobre o plano de matar a parlamentar a Rivaldo, que teria usado sua autoridade como chefe de Polícia Civil “para oferecer a garantia necessária aos autores intelectuais do crime de que todos permaneceriam impunes”.

“Acrescente-se que Rivaldo ocupava, ao tempo do planejamento do crime, a função de diretor da Divisão de Homicídios, tendo sido empossado, no dia imediatamente anterior às execuções, como chefe de Polícia Civil. Por isso, o seu aval era parte indispensável do plano elaborado pelos irmãos Brazão. Ele detinha o controle dos meios necessários para garantir a impunidade do crime”, escreve o vice-procurador-geral da República Hindenburgo Chateubriand Filho, que assina a denúncia.

Com informações de O Globo.  

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