“Eu voltaria a assinar o AI-5”: veja algumas frases do ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, morto nesta segunda-feira aos 96 anos

Ex-ministro também chamou o presidente Lula de “diamante bruto”

Ministro da Fazenda durante o “milagre econômico” na ditadura militar e um dos signatários do AI 5, que deu início ao período mais violento e obscuro da repressão, Delfim Netto era conhecido como frasista. Veja alguma delas:

“Nós não temos competência para acabar com o Brasil. O Brasil vai sobreviver a todas as bobagens que nós fizermos”.

“A empregada doméstica virou manicure ou foi trabalhar num call center. Agora, ela toma banho com sabonete Dove. A proposta desses ‘gênios’ é fazer com que ela volte a usar sabão de coco aumentando os juros”.

“Nunca houve milagre. Milagre é efeito sem causa. É de uma tolice imaginar que o Brasil cresceu durante 32 anos seguidos, começando na verdade em 1950, a 7,5% ao ano, por milagre”.

“Todos melhoraram, mas alguns melhoraram mais que outros. Quem eram esses que melhoraram mais? Exatamente aqueles que tinham sido privilegiados com educação superior e cuja demanda cresceu enormemente no processo de desenvolvimento”.

“A empregada doméstica, infelizmente, não existe mais, ela desapareceu. Quem teve este animal, teve. Quem não teve, nunca mais vai ter”. Depois, pediu desculpas pela declaração.

“O Lula é um diamante bruto. É um gênio. As pessoas que subestimam o Lula são idiotas. Ele realmente tem uma grande capacidade, não só de se comunicar, que é visível, mas de organizar as coisas. Ele fez um bom governo”, disse Delfim, em 2015, em meio à crise que levaria ao impeachment da sucessora do líder petista. Dilma Rousseff.

“Eu voltaria a assinar o AI-5. As pessoas não conhecem história, ficam julgando o passado, como se fosse o presente. Naquele instante foi correto, só que você não conhece o futuro. Quando se assinou o AI-5, o que se imaginava era que o habeas corpus seria para proteger o cidadão, não para matá-lo. Hoje nós sabemos para onde queremos ir e aprendemos que só existe um mecanismo para administrar esse país e levá-lo ao progresso, que é o fortalecimento do processo democrático. Isso é um aprendizado”, afirmou Delfim em 2021, sobre o decreto assinado em dezembro de 1968 que marcou um dos períodos mais repressivos da ditadura militar.

Com informações de O Globo

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