Integrantes do governo brasileiro estão há semanas em contato com o cerimonial da posse do presidente argentino, Javier Milei, para evitar constrangimentos. A preocupação é que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não fique perto do ex-presidente Jair Bolsonaro, um dos convidados à cerimônia, conta Janaína Figueiredo, no Globo. Mais de 120 delegações internacionais chegaram a Buenos Aires para participar do evento.
Pelas regras de protocolo do governo argentino, na cerimônia na qual o novo chefe de Estado é empossado, dentro do Parlamento, ex-presidentes estrangeiros ficam no mesmo local que delegações oficiais. Portanto, as chances de o ministro das Relações Exteriores do governo Lula sentar-se próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro são grandes, admitiram fontes brasileiras.
Essa foi uma das razões que reforçou a decisão do presidente Lula de não vir até Buenos Aires para presenciar a posse de Milei. Faltando pouco para a cerimônia no Congresso argentino, não se sabia, ainda, qual seria a localização da delegação oficial brasileira. O objetivo dos enviados de Lula é claro: podendo, evitar um contato com Bolsonaro.
Em sua chegada ao Parlamento argentino, o ex-presidente brasileiro se aproximou às milhares de pessoas que aguardam a presença do presidente eleito argentino. Bolsonaro falou com militantes de Milei, gravou vídeos e somente depois de ter contato com argentinos nas ruas entrou no Congresso.
O clima nas ruas do centro portenho é de tranquilidade. No dia em que o país comemora 40 anos consecutivos de democracia, milhares de pessoas chegaram à Praça do Congresso para acompanhar o discurso de posse de Milei. Pela primeira vez, inspirado na estética americana — sobretudo do governo do republicano Ronald Reagan —, o presidente eleito da Argentina não falará dentro do Parlamento e sim num palco montado em frente à Praça do Congresso. Uma decisão que incomodou parlamentares da oposição.
Na primeira parte da cerimônia, do lado de dentro, Milei receberá a faixa e o bastão presidenciais por parte de seu antecessor, o presidente Alberto Fernández. Também será empossada a vice-presidente, Victoria Villarruel. Diferentemente do que ocorreu em 2015, quando deixou o poder após oito anos de governo — e quase 13 anos de kirchnerismo, somando o mandato de seu marido, Néstor Kirchner —, a vice-presidente Cristina Kirchner estará na posse do novo governo. Há oito anos, Cristina se recusou a participar da cerimônia em que seu sucessor, Mauricio Macri, assumiu o poder.





