Em dia de mercado fechado, Google exibe cotação do dólar a R$ 6,35; AGU pede esclarecimentos

AGU busca entender as causas do erro e avaliar possíveis medidas legais para responsabilizar o Google pela disseminação da informação equivocada

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que solicitará informações ao Banco Central nesta quinta-feira sobre a cotação do dólar, após o Google ter exibido durante toda esta quarta-feira (25) um valor incorreto da moeda em relação ao real. A medida visa reunir subsídios para uma eventual ação judicial contra a plataforma.

De acordo com o Google, a cotação exibida era de R$ 6,35. No entanto, os mercados estavam fechados devido ao feriado de Natal, e não houve negociações na data. Na terça-feira, 24, também não ocorreram transações. Dados corretos indicam que o dólar com vencimento em janeiro de 2025, considerado o contrato mais líquido, encerrou a última sessão a R$ 6,2050. Já o dólar à vista, cotação informada pela plataforma, fechou ainda mais baixo, em R$ 6,1851.

A AGU busca entender as causas do erro e avaliar possíveis medidas legais para responsabilizar o Google pela disseminação da informação equivocada, que pode ter gerado confusão ou impactos econômicos para os usuários.

O maior valor nominal do dólar em relação ao real foi atingido na quarta-feira da semana passada (18), quando a moeda foi negociada a R$ 6,267, quase R$ 0,10 abaixo da exibida hoje pelo Google.

Esta não é a primeira vez que o site informa uma cotação errada, mas o caso agora chama mais atenção porque nesta os mercados estão fechados no Natal.

Procurado, o Google no Brasil respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que os dados em tempo real exibidos na busca vêm de provedores globais terceirizados de dados financeiros.

“Trabalhamos com nossos parceiros para garantir a precisão e investigar e solucionar quaisquer preocupações”, adiantou a plataforma.

A empresa acrescentou que as informações sobre suas fontes de dados podem ser encontradas aqui (https://www.google.com/googlefinance/disclaimer/).

Ao abrir o local indicado, é possível identificar que as informações sobre cotações são provenientes da Morningstar, empresa que se declara “líder no fornecimento de pesquisa independente de investimentos. Nossa missão é criar os melhores produtos para ajudar os investidores a alcançarem os seus objetivos financeiros”, diz a companhia, que informar ter sede em Chicago e estar presente em 27 países.

O BC entregará os dados solicitados pela AGU nesta quinta-feira. O presidente interino do Banco Central, Gabriel Galípolo, colocou toda a equipe de alerta, enfatizando a determinação, inclusive, aos funcionários que estão de plantão neste Natal.

O atual diretor de Política Monetária comanda o BC no momento porque o presidente Roberto Campos Neto está em recesso até o fim do ano, quando expira seu mandato. Galípolo assume o posto a partir de 1 de janeiro. Procurada, a assessoria de imprensa do BC não quis comentar a situação.

O mercado cambial tem passado por momentos de muita volatilidade desde o início do ano em razão de uma saída significativa de recursos, como revela semanalmente o BC por meio das operações de dólar contratado.

As remessas costumam ser maiores no último mês de todos os anos, mas, em 2024, recordes vêm sendo batidos. Para prover liquidez ao mercado, o BC vem ofertando moeda, também em valores atípicos para o período. Analistas creditam a demanda extra por dólares a investidores céticos com a política fiscal adotada pelo governo e que, por isso, têm investido na compra da moeda estrangeira.

Com informações do Estadão.

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