Donald Trump volta a atacar imigrantes e diz que eles espalham ‘genes ruins’ nos Estados Unidos

No ano passado, Trump já havia afirmado que imigrantes ilegais estariam ‘envenenando o sangue do nosso país’, o que muitos associaram à retórica de Adolf Hitler

O candidato à presidência dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump, fez declarações polêmicas nesta segunda-feira (7) sugerindo que imigrantes que cometeram assassinatos nos Estados Unidos o fizeram devido a “genes ruins”. Ele afirmou que “há muitos genes ruins em nosso país neste momento”, associando essas características a imigrantes. Esse episódio é o mais recente em que Trump usa retórica para alegar que os imigrantes estão alterando a composição genética dos EUA.

No ano passado, Trump já havia gerado controvérsia ao afirmar que imigrantes ilegais estariam “envenenando o sangue do nosso país”, o que muitas pessoas associaram à retórica de Adolf Hitler.

As declarações mais recentes foram feitas durante uma entrevista de rádio com o apresentador conservador Hugh Hewitt. Enquanto criticava sua oponente democrata na eleição presidencial de 2024, a vice-presidente Kamala Harris, Trump desviou o foco para a questão da imigração, citando estatísticas que, segundo ele, foram coletadas pelo Departamento de Segurança Interna durante seu mandato.

Essas declarações reacenderam o debate sobre a retórica xenófoba e racista frequentemente associada ao discurso de Trump em relação aos imigrantes, provocando reações tanto de críticos quanto de seus apoiadores.

“Como se não bastasse permitir que pessoas cruzassem a fronteira aberta, 13 mil delas eram assassinos? Muitos deles assassinaram mais de uma pessoa”, disse Trump. “E eles estão agora vivendo felizes nos Estados Unidos. Você sabe, um assassino — eu acredito nisso: está nos genes deles. E temos muitos genes ruins em nosso país neste momento. Além disso, 425 mil pessoas entraram em nosso país que não deveriam estar aqui e são criminosos”.

 A campanha de Trump disse que seus comentários sobre genes foram sobre assassinos. “Ele claramente estava se referindo a assassinos, não a migrantes. É bastante nojento que a mídia esteja sempre tão rápida para defender assassinos, estupradores e criminosos ilegais se isso significa escrever uma manchete ruim sobre o presidente Trump”, disse Karoline Leavitt, secretária de imprensa nacional da campanha de Trump, em um comunicado.

O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) divulgou dados de aplicação da lei de imigração ao deputado republicano Tony Gonzales no mês passado sobre as pessoas sob sua supervisão, incluindo aquelas que não estão sob custódia do ICE. Isso incluiu 13.099 pessoas consideradas culpadas de homicídio e 425.431 pessoas que são criminosos condenados. Mas esses números abrangem décadas, incluindo durante o governo Trump. E aqueles que não estão sob custódia do ICE podem estar detidos por agências de aplicação da lei estaduais ou locais, de acordo com o Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE.

A campanha de Kamala se recusou a comentar. Questionada durante um encontro com repórteres sobre o comentário de Trump, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, disse: “Esse tipo de linguagem é odiosa, nojenta, inadequada, não tem lugar em nosso país”.

O governo Biden endureceu as restrições de asilo para migrantes, e Kamala, buscando abordar uma vulnerabilidade enquanto faz campanha, tem trabalhado para projetar uma postura mais dura sobre a imigração.

O ex-presidente e candidato republicano fez da imigração ilegal uma parte central de sua campanha de 2024, prometendo realizar a maior operação de deportação da história dos EUA, se eleito. Ele tem um longo histórico de comentários depreciativos sobre imigrantes, incluindo chamá-los de “animais” e “assassinos”, e dizendo que espalham doenças e comem animais domésticos.

Com informações do Estadão.

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