Uma disputa interna pela escolha do candidato a vice na pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro tem evidenciado divisões dentro do campo da direita. As informações são do blog da jornalista Andréia Sadi, que aponta divergências entre o núcleo mais próximo do parlamentar e setores ligados ao Centrão.
No centro do embate está a resistência de aliados mais próximos de Flávio ao nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS), considerada a principal opção defendida por lideranças partidárias e pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Núcleo duro resiste ao Centrão
O grupo mais ideológico que orbita a pré-campanha do senador avalia que o candidato a vice deve ter alinhamento direto com o projeto político de Flávio, sem vínculos fortes com outras correntes partidárias. A preocupação é evitar disputas internas futuras e garantir coesão no eventual governo.
Segundo relatos, integrantes desse núcleo defendem um perfil semelhante ao adotado por Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, quando escolheu José Alencar como companheiro de chapa. Um aliado resumiu a expectativa ao afirmar que o ideal seria “um vice que vá dar paz”.
Histórico pesa na decisão
Experiências anteriores também influenciam o debate. Em 2018, o então candidato Jair Bolsonaro escolheu o general Hamilton Mourão após recusas de outros nomes, mas enfrentou atritos frequentes ao longo do mandato.
Já em 2022, optou por Braga Netto, visto como uma alternativa com menor autonomia política e mais alinhada ao núcleo do governo.
Esse histórico reforça, entre aliados de Flávio, a preferência por um vice sem base própria consolidada, considerado menos propenso a divergências internas.
Zema surge como alternativa
Dentro dessa lógica, o nome do ex-governador Romeu Zema, atualmente no partido Novo, passou a ser visto como uma possível solução. Embora seja pré-candidato à Presidência, interlocutores avaliam que ele poderia compor como vice por não representar um bloco político tradicional.
Além disso, pesa a relevância de Minas Gerais no cenário eleitoral, por ser o segundo maior colégio eleitoral do país. Ainda assim, há dúvidas sobre o quanto Zema agregaria em termos de estrutura política e apoio nacional.
Tereza mantém apoio político
Apesar da resistência do núcleo mais ideológico, Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro, segue com respaldo entre empresários, setores do mercado financeiro e lideranças partidárias. Sua ligação com o Centrão é vista como um trunfo por aqueles que defendem uma composição mais ampla.
A rejeição ao seu nome também foi influenciada por episódios recentes, como sua participação em uma comitiva internacional que tratou de tarifas nos Estados Unidos, o que gerou incômodo em parte do grupo bolsonarista. Segundo relatos, Eduardo Bolsonaro teria atuado contra a indicação da senadora.
Cálculo político na escolha
Nos bastidores, a definição do vice é tratada como uma equação estratégica. Aliados avaliam o potencial de cada nome em termos de tempo de televisão, acesso a recursos de campanha e capacidade de ampliar alianças.
Enquanto Zema é visto como um nome mais alinhado ideologicamente, mas com menor estrutura partidária, Tereza Cristina representa uma ponte com setores mais amplos da política e da economia.
A decisão final deverá refletir o equilíbrio entre fidelidade ao projeto político e capacidade de viabilizar a candidatura em um cenário eleitoral competitivo.






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