Com a morte do Papa Francisco e o início do conclave, a sucessão ao trono de Pedro movimenta o Vaticano e desperta atenções em todo o mundo. De acordo com reportagem publicada pelo Valor Econômico, a disputa interna entre os cardeais revela candidatos de perfis variados, representando as diversas regiões e tendências que convivem dentro da Igreja Católica contemporânea.
O conclave costuma começar entre 15 a 20 dias após a morte do Papa, mas ainda não há data definida. São necessários dois terços dos votos dos cardeais eleitores para eleger o sucessor de Francisco.
Embora a tradição costume favorecer cardeais europeus, a crescente influência da Igreja na Ásia, África e América Latina tornou o processo mais imprevisível. Analistas e vaticanistas apontam uma lista de favoritos, em que despontam nomes como o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, o italiano Pietro Parolin, o canadense Marc Ouellet e o guineense Robert Sarah.
Luis Antonio Tagle, atual prefeito do Dicastério para a Evangelização, é visto como um candidato de forte apelo junto às igrejas asiáticas e de perfil progressista. Sua atuação em prol dos pobres e sua proximidade com as ideias de Francisco o colocam entre os favoritos de setores mais reformistas. Já Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, representa a ala diplomática e pragmática, com sólida experiência política e forte trânsito entre diferentes alas da Cúria.
Entre os conservadores, destaca-se o nome do cardeal Robert Sarah, da Guiné. Conhecido por suas posições tradicionais em temas como liturgia e moral sexual, Sarah seria o preferido de quem deseja uma guinada mais ortodoxa no Vaticano. O canadense Marc Ouellet, ex-prefeito da Congregação para os Bispos, também é considerado uma opção de consenso, com um perfil moderado.
O cenário, no entanto, permanece aberto. A composição do Colégio de Cardeais, hoje mais diversa após os consistórios de Francisco, indica que haverá forte debate entre diferentes visões de Igreja. Cerca de 70% dos cardeais eleitores foram nomeados pelo próprio Francisco, o que sugere uma possível continuidade de sua linha pastoral — mas a pressão por mudanças também é real, especialmente diante dos desafios demográficos, com o crescimento de católicos fora da Europa.
Lista também traz possíveis surpresas
Além dos favoritos, outros nomes surgem como possíveis “surpresas” no conclave, como o cardeal Matteo Zuppi, de Bolonha, visto como um reformista capaz de dialogar com diferentes setores da Igreja, e o cardeal Jean-Claude Hollerich, de Luxemburgo, conhecido por suas ideias progressistas e atuação nas questões sociais.
O processo de escolha, que ocorre a portas fechadas na Capela Sistina, é envolto em rituais e simbolismos seculares. Cada cardeal eleitor é chamado a votar “em consciência diante de Deus”, buscando o candidato que melhor possa conduzir a Igreja nos próximos anos. A fumaça branca, sinal de que um novo papa foi eleito, poderá surgir após dias de votações intensas e negociações discretas.
Seja qual for o escolhido, o novo Papa herdará uma Igreja em profunda transformação, desafiada a manter sua relevância espiritual num mundo cada vez mais secularizado, mas também chamada a responder com vigor às novas periferias sociais e geográficas que ganharam peso sob Francisco.





