O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) afirmou nesta terça-feira, 17, em entrevista à GloboNews, que a anulação de processos da Operação Lava Jato não significa que não tenha havido corrupção na Petrobras. “Não podemos, porque foram anulados os processos, dizer que não houve corrupção e desvios”, disse. Segundo ele, os governos do PT e os acusados “pagaram um preço” pelas investigações.
A declaração marca um raro reconhecimento público por parte de uma liderança petista de que houve corrupção na estatal, mesmo após decisões judiciais terem derrubado parte significativa das condenações baseadas em irregularidades processuais.
Durante a entrevista, Dirceu voltou a se defender das acusações no escândalo do mensalão, que completou 20 anos em 2025. Disse ter sido “transformado em bandido em 24 horas” e alegou não haver provas contra ele. “Fui cassado por ser chefe do mensalão, e depois o STF me absolveu de formação de quadrilha e não fui acusado de peculato ou lavagem”, afirmou. Ele prometeu entrar com pedido de revisão criminal após as eleições de 2026.
“Depois de sete anos, sou condenado sem provas, por causa da tese do domínio do fato. E depois o criador da tese vem ao Brasil e diz que ela não poderia ter se aplicado ao meu caso”, criticou.
Eleições de 2026 e 2030
Dirceu também declarou que pretende disputar uma vaga nas eleições de 2026 por São Paulo, embora não tenha especificado para qual cargo. A decisão deve ser anunciada no fim deste ano. Para ele, a eleição presidencial será decidida nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
“Da Bahia ao Amazonas temos uma situação eleitoral tranquila. A eleição vai ser decidida em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Lula venceu a eleição em São Paulo”, avaliou.
Sobre sucessões no PT, o ex-ministro negou que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, seja o nome natural para suceder Lula. “O sucessor do Lula é o PT”, disse, defendendo que o partido deve se reorganizar até 2030. Entre os quadros competitivos, citou Rui Costa, Camilo Santana e Jaques Wagner, além do próprio Haddad.
Críticas à articulação e à comunicação do governo
Dirceu apontou ainda fragilidades no atual governo Lula, especialmente em relação à coordenação interna e à comunicação com a população. Disse que há “problemas notórios” nesses pontos e que a gestão ainda não conseguiu estruturar uma estratégia digital eficaz.
“Há problemas de comunicação, por isso que o Sidônio (Palmeira, ministro da Secom) entrou e está procurando mudar isso. Mas até hoje não conseguimos licitar a comunicação digital”, afirmou.
Por fim, o ex-ministro comentou o cenário de alianças para a reeleição de Lula em 2026. Ele acredita que, além do campo progressista, parte do MDB e setores regionais de partidos de centro como União Brasil e PP podem se juntar ao projeto petista. Segundo ele, convites como o feito a Gleisi Hoffmann e Guilherme Boulos para encontros no Planalto indicam o início dessa costura política.





