Thiago Rangel faz pronunciamento na Alerj e volta a negar envolvimento com operações criminosas

O parlamentar já havia emitido uma nota dizendo confiar no Poder Judiciário para esclarecer os fatos. Ele foi alvo de operação policial contra fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro na segunda-feira

O deputado Thiago Rangel (PMB) usou o plenário da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), nesta quarta-feira (15/10), para negar mais uma vez sua participação num esquema criminoso de lavagem de dinheiro desvendado pela Polícia Federal (PF). O parlamentar já havia divulgado uma nota na segunda-feira (14) para rechaçar as acusações.

Num rápido pronunciamento no expediente final, ele disse que foi pego de “surpresa” com a ação policial e que se sentiu “constrangido” com os mandados de busca e apreensão que sofreu. Com base eleitoral em Campos dos Goytacazes, cidade do Norte Fluminense, Rangel revelou que sequer conseguiu saber o teor das acusações, mas que mesmo assim gostaria de prestar esclarecimentos.

“Queria esclarecer alguns fatos que aconteceram comigo nos últimos dias. Não sabia o que estava acontecendo. Foram na minha casa e nos locais de trabalho. Quero dizer que fui eleito vereador e deputado. Sou comerciante desde 2016 e nunca tive nada para esconder de ninguém. Me senti constrangido, mas agora vou poder fazer minha defesa perante os fatos que estão sendo imputados a mim”, assegurou. E completou:

“Cabe agora eu provar minha inocência. Tenho a vida limpa e tenho certeza de que minha inocência será reconhecida nessas acusações infundadas que estão fazendo contra mim.”

Operação policial

Na segunda-feira (14), a PF deflagrou uma operação contra o parlamentar, suspeito de fraude em licitações, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

A investigação começou há dois anos e contou com a participação do Ministério Público Estadual e da Receita Federal. Ela revelou um esquema criminoso de contratações diretas, por meio de dispensa fraudulenta de licitação de empresas ligadas ao parlamentar.

A operação, batizada de “Postos de Midas”, é uma analogia ao Rei Midas da Frigia que, segundo a mitologia grega, adquiriu o poder de transformar em ouro tudo que tocava.

Segundo a PF, a ação do grupo teria resultado em práticas de sobrepreço e no desvio de recursos públicos. O dinheiro obtido a partir do esquema era lavado por atividades de uma rede de postos de combustíveis.

As autoridades cumpriram mandados de busca e apreensão em 14 endereços: Câmara de Vereadores e a sede da prefeitura de Campos, Cabo Frio, Itaguaí e Rio de Janeiro, além da própria Alerj. Foram apreendidos R$ 160 mil, um veículo de luxo blindado avaliado em R$ 350 mil, celulares, computadores, mídias de armazenamento e documentos.

O deputado é integrante da CPI da Transparência na Alerj, criada para investigar atos e informações sigilosas do governo no Sistema Estadual de Informações (SE).

Investigação da PF

O inquérito policial teve início após a prisão em flagrante de um dos membros da organização criminosa, em 2022. Ele foi autuado pela prática de corrupção eleitoral. A partir de então, a polícia começou a levantar informações a respeito do deputado.

O mesmo assessor é doador de campanha na eleição deste ano de Thamires Rangel, filha do deputado Thiago Rangel, a vereadora mais jovem eleita no país, com 18 anos de idade. Ela também foi a única mulher a conquistar uma das 25 cadeiras da Câmara Municipal de Campos.

A Alerj também divulgou uma nota, dizendo que “acompanha o caso com atenção e vai aguardar a decisão da Justiça sobre as investigações”. De acordo ainda com a nota, “todas as providências cabíveis serão tomadas com base no Regimento Interno da Casa”.

Acúmulo de patrimônio

A operação “Postos de Midas” também é uma referência ao crescimento exponencial do patrimônio do investigado que, quando concorreu ao cargo de vereador pelo Município de Campos dos Goytacazes em 2020, declarou um patrimônio de R$ 224 mil. O total declarado pelo político era composto por dois veículos, uma participação no valor de R$ 60 mil reais em um posto de gasolina e um jet ski.

Já em 2022, quando concorreu ao cargo de deputado estadual, ele declarou um patrimônio de mais de R$ 1,9 milhão. O investigado, atualmente, conta com uma vasta rede de postos de combustíveis, composta de 18 estabelecimentos, além de 12 empresas identificadas na investigação, de acordo com a PF.

A residência do parlamentar em Campos e um posto de combustíveis em Bonsucesso, na capital fluminense, também são alvos da operação desta segunda-feira. As medidas foram autorizadas pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). 

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