Deputados de partidos de esquerda protocolaram representações no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP), após um discurso em que ela pintou o rosto e os braços de preto na tribuna da Casa.
Os pedidos foram apresentados por parlamentares de PT, PSOL, PCdoB, PSB e Rede. Ao todo, duas representações foram formalizadas: uma assinada por 19 deputados da chamada minoria e outra subscrita por integrantes da bancada do PSOL. Ambas solicitam a investigação da conduta da deputada e a eventual cassação de seu mandato.
Acusações de racismo e transfobia
Os autores das ações afirmam que o ato configura prática de “blackface”, considerada racista, além de apontarem possível transfobia. A iniciativa ocorreu após a parlamentar protagonizar um episódio polêmico durante sessão no plenário.
Na ocasião, Fabiana Bolsonaro afirmou que realizava um “experimento social” e questionou a legitimidade da escolha da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados.
Durante o discurso, a deputada declarou: “Trouxe o meu espelho, amarro os meus cabelos, e aqui eu vou fazer um experimento social”. Em seguida, questionou: “Eu sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora, aos 32 anos, decidi me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. Eu virei negra?”.
Reação política e medidas paralelas
Além das representações no Conselho de Ética, a bancada feminista da Alesp acionou o Ministério Público Federal (MPF), acusando a parlamentar de racismo e transfobia, o que classificou como “flagrante abuso de suas prerrogativas”.
Nos bastidores da Assembleia, no entanto, há dúvidas sobre o avanço das denúncias. Segundo análise da CNN Brasil, o ambiente político é de ceticismo quanto à possibilidade de punição efetiva.
Defesa da deputada
Procurada, Fabiana Bolsonaro afirmou que não esperava a repercussão do caso e disse que já utilizou a tribuna outras vezes para manifestações semelhantes. Em nota, negou ter cometido racismo.
“Como deputada, afirmo com total clareza e responsabilidade jurídica: durante minha presença no Plenário da Assembleia Paulista não fiz blackface. É uma mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo”, declarou.
O Conselho de Ética da Alesp e o MPF ainda não se pronunciaram sobre o andamento das representações.






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