Cresce número de brasileiros que não veem risco nas mudanças climáticas, aponta Datafolha

Levantamento mostra queda na percepção de risco imediato, enquanto parcela da população segue otimista com recuperação ambiental e reconhece impacto do desmatamento

Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta quinta-feira (2) revela um avanço na parcela da população brasileira que não acredita que as mudanças climáticas representam riscos. De acordo com o levantamento, 9% dos entrevistados afirmaram não ver ameaça nas alterações do clima — percentual que, embora ainda minoritário, cresceu em relação à medição feita em junho de 2024, quando era de 5%.

A proporção dos que consideram as mudanças climáticas um risco imediato também registrou oscilação. Em abril de 2025, 53% dos entrevistados afirmaram que o risco é atual, número inferior ao de outubro de 2024, quando era de 60%, mas ligeiramente acima do verificado em junho do mesmo ano, quando o índice estava em 52%.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 113 municípios das cinco regiões do país, entre os dias 8 e 11 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Outro dado relevante do levantamento é o que diz respeito à percepção de risco futuro. 35% dos entrevistados afirmaram que as mudanças climáticas serão uma ameaça para as próximas gerações — uma queda em comparação aos 43% registrados em junho de 2024 e uma leve alta em relação aos 32% verificados em outubro.

Embora a atual sondagem revele oscilações na percepção de risco, um levantamento anterior do Datafolha, encomendado pela Fundação SOS Mata Atlântica em dezembro de 2024, indicou que 75% dos brasileiros afirmam sentir os efeitos das mudanças climáticas no cotidiano. A pesquisa também mostrou que 98% dos entrevistados reconhecem que o Brasil sofre consequências diretas pelo desmatamento da Mata Atlântica.

Mesmo diante desse cenário de degradação ambiental, 78% dos brasileiros se dizem otimistas e acreditam na possibilidade de recuperação das áreas devastadas do bioma.

Para a diretora de mobilização da SOS Mata Atlântica, Afra Balazina, os dados reforçam a urgência de transformar consciência ambiental em ação coletiva.

— Precisamos do investimento de recursos e de força de vontade política à preservação. Além de ampliar ações de conscientização e envolver a população, sobretudo os jovens, que demonstram grande disposição para apoiar a conservação ambiental — aponta Afra.

Segundo a mesma pesquisa de dezembro, 58% dos brasileiros consideram muito importante o trabalho de organizações dedicadas à preservação ambiental. Esse percentual é ainda mais expressivo entre os jovens (71%) e pessoas com nível superior (64%).

Os números mostram que, apesar do crescimento de uma parcela cética, o tema ambiental segue como uma preocupação real e presente para a maioria da população, especialmente em um país onde os efeitos da crise climática — como enchentes, secas e eventos extremos — já impactam o cotidiano de milhões de pessoas.

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