Um grupo de conselheiros do Flamengo encaminhou ontem um pedido para que o Ministério Público Eleitoral (MPE) do Rio de Janeiro,investigue o encontro da delegação do clube com o presidente Jair Bolsonaro no dia 30 de outubro, data do segundo turno das eleições presidenciais.
O encontro aconteceu no Aeroporto do Galeão, no retorno da delegação ao Rio após a conquista da Libertadores, no Equador.
O grupo de 13 conselheiros pede que sejam apuradas as responsabilidades do caso diante da Justiça Eleitoral.
As informações são do G1.
O documento, enviado aos cuidados da procuradora regional eleitoral do Rio de Janeiro, Neide Cardoso, cita pontos do Estatuto Social do Flamengo que teriam sido contrariados por dirigentes do clube que estavam presentes e pela presença do presidente em campanha no desembarque dos atletas.
“Reconhecemos e saudamos a manifestação de preferências políticas por qualquer cidadão, desde que nos termos da lei. Qualquer dirigente do Clube de Regatas do Flamengo pode expressar suas preferências políticas, desde que não se valha da própria investidura de cargo e da consecução da atividade-fim do clube para isso. Não há, em nenhuma linha do regramento interno clube, licença para envolvimento institucional em campanha externa aos interesses da nossa querida associação civil – muito pelo contrário, como já demonstrado”, afirma o documento enviado ao MPE.
O pedido de investigação, encaminhado pelo escritório Flora, Matheus & Mangabeira, segue e ressalta que o encontro aconteceu durante o período de votação.
“No caso presente, esse laço com uma campanha externa aparece agravado pela temporalidade: o ‘encontro’, na prática um comício tornado público a posteriori, ocorreu e foi divulgado durante o período de votação de uma eleição, onde atos de campanha envolvendo candidatos são proibidos”, diz o texto.
Walter Monteiro, que já foi candidato à presidência do clube, é um dos conselheiros que entrou com o pedido no MPE e destaca que as preferências políticas pessoais não podem ser misturadas com os interesses do clube.
“A gente considera que o Flamengo é um clube de profundas raízes democráticas e que precisa preservar a sua pluralidade”, disse Walter .
O documento cita a resolução do Tribunal Superior Eleitoral que veda a propaganda eleitoral por candidatos no dia da eleição. Walter destacou que acredita que o título do clube foi usado de forma inadequada.
“Permitir que o Flamengo seja usado como palanque eleitoral extrapola o estatuto do clube e a lei”, ressaltou o conselheiro.
O MPE ainda vai verificar a denúncia e decidir se abre investigação sobre o caso.





