Conselheiro do TCE, Domingos Brazão depõe no caso Marielle e acusa Ronnie Lessa de proteger comparsa, o ex-vereador Cristiano Girão  

Deputado Chiquinho acompanhava o depoimento de Domingos, por videoconferência, e também foi às lágrimas ao ver o irmão em prantos

 Apontado pela Polícia Federal como um dos mandantes da morte de Marielle Franco, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Domingos Brazão, garantiu não conhecer o assassino confesso da vereadora, Ronnie Lessa, e que só o viu pela televisão.

– Ele (Ronnie Lessa) só fala após a delação de Élcio de Queiroz. Ele se sentiu acuado, encurralado. E decidiu falar. Foi a oportunidade que o Lessa teve de defender, proteger o seu comparsa, Cristiano Girão (ex-vereador). É a única explicação que vejo. Já perdi noites – disse.

Domingos faz seu depoimento na tarde desta terça (22) no Supremo Tribunal Federal (STF) no processo que apura quem são os mandantes pelo assassinato em 14 de março de 2018.

Ele contou que já perdeu 26 quilos em 7 meses de prisão, mas disse não acreditar no que está acontecendo.

– A gente duvida até de Deus. Não entendo por que estou preso por envolvimento com pessoas que não conheço. Estou perdendo a minha vida aqui sem ter a oportunidade de me defender. Uma vírgula muda uma sentença. O maior alvo da CPI das Milícias (em 2008) foi o Cristiano Girão. Aí em 2010, 2011, o pessoal começa a ser preso, denunciado. Período em que começa um certo encolhimento da milícia – afirmou o conselheiro do TCE.

Os depoimentos começaram nesta segunda-feira (21). O primeiro a ser ouvido foi o seu irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido).

Como o irmão, Domingos se emocionou logo no início do relato ao STF ao lembrar da família. O deputado Chiquinho acompanhava o depoimento de Domingos, por videoconferência, e também foi às lágrimas ao ver o irmão em prantos.

No primeiro dia de relato ao falar da família, Chiquinho Brazão se emocionou e chorou. No segundo dia contou que nunca se interessou em receber denúncias contra facções criminosas.

– Caso de polícia, eu nunca tratei. Eu nunca me interessei. A Marielle também corria desses assuntos. Tenho família que frequenta Jacarepaguá. Não quero saber o que é milícia ou o que é tráfico – disse.

O deputado federal falou ainda que Marielle era uma pessoa muito amável:

– Fizeram uma maldade muito grande com ela. Marielle sempre foi minha amiga. Era uma vereadora muito amável e com quem a gente tinha uma boa relação. Ela (Marielle) sempre foi muito respeitosa e carinhosa – disse Chiquinho Brazão

O depoimento de Domingos Brazão segue a mesma estrutura da audiência do seu irmão: o desembargador Airton Vieira, que conduz a sessão, faz perguntas e depois repassa para perguntas do representante da Procuradoria Geral da República, o promotor Olavo Pezzotti.

A seguir são as assistentes de acusação que representam as famílias de Marielle e de Anderson. Depois, os advogados dos outros quatro réus fazem questionamentos a Domingos Brazão.

O processo no STF

O processo tem como relator o ministro Alexandre de Moraes e os réus também serão julgados em um júri no Tribunal de Justiça do Rio.

Os réus já tinham prestado depoimento após as prisões e apresentado defesa após as denúncias. Essa fase de interrogatório faz parte da instrução penal. Depois dessa semana, tanto as defesas quanto a acusação vão ter cinco dias para avaliar se vão pedir novas diligências. Caso não peçam, o processo entra na fase de alegações finais.

g1 fez um resumo dos primeiros 15 dias de audiência do processo que apura a responsabilidade de supostos mandantes nos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. Foram cerca de 75 horas de depoimentos de 10 testemunhas. Todas arroladas pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Em três semanas, houve depoimentos que reforçaram a investigação, enquanto outros mantiveram dúvidas que não foram levadas em conta pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, na homologação das delações premiadas de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz e ao aceitar a denúncia da PGR.

São cinco os réus do processo no Supremo:

Domingos Brazão – Conselheiro do TCE do RJ é apontado como mandante da morte de Marielle;

Chiquinho Brazão – Deputado federal também responde como mandante junto com o irmão, Domingos;

Rivaldo Barbosa – Delegado da Polícia Civil do RJ é acusado de saber do crime antes de sua realização, em 14 de março de 2018, quando ocupava a direção da Divisão de Homicídios;

Ronald Paulo Pereira – Major da PM está preso por outro processo por envolvimento com a milícia de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, onde teria praticado homicídios e ocultação de cadáver. No caso Marielle, o major Ronald é acusado de participar do homicídio ao monitorar os passos da vereadora; e

Robson Calixto Fonseca, o Peixe – Policial militar. É acusado de integrar a organização criminosa que seria chefiada, de acordo com a denúncia da PGR, pelos irmãos Brazão. Segundo a denúncia, Peixe teria ajudado a desaparecer com a MP5, submetralhadora usada para matar Marielle.

Com informações do g1.

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