Conheça o abacaxi criado por cientistas brasileiros: mais doce e não precisa descascar

Fruta é resultado de uma série de pesquisas do Instituto Agronômico de Campinas

Em um recente documentário sobre a vida e obra de Vinicius de Moraes, há uma sequência onde um jornalista pergunta ao poetinha qual o segredo de sua famosa performance etílica. Vinicius olha para a câmera, ergue a rodela de uma fruta úmida e responde vagarosamente: “A-ba-ca-xi”, para risada geral. Mal sabia ele que anos depois cientistas brasileiros iriam fazer um upgrade da fruta, tornando-a mais doce e fácil de comer. Ele agora nem precisa ser descascado. Basta puxar cada gominho como quem arranca uma uva do cacho. 

Chamado Abacaxi Gomo de Mel, ele é resultado de uma série de pesquisas do Instituto Agronômico de Campinas, que embora em expansão no mercado premium, enfrenta dificuldades para ser vendido em escala nacional.

História e desenvolvimento

O abacaxi ‘Gomo de Mel’ foi desenvolvido no Brasil pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) a partir de um cruzamento natural ocorrido em 1992. A variedade foi registrada oficialmente em 1999 e lançada ao mercado em 2005.

Seu principal diferencial é a possibilidade de consumo direto em gomos suculentos, sem a necessidade de descascar a fruta. Além disso, apresenta um teor de açúcar (°Brix) superior ao das variedades tradicionais, chegando a 26, enquanto o abacaxi comum possui cerca de 15.  

Características da fruta

O ‘Gomo de Mel’ é um abacaxi de pequeno porte, pesando entre 800 gramas e 1,2 kg. Sua polpa é suculenta, de coloração amarelo-ouro, com sabor doce e baixa acidez. Seu formato é cilíndrico e mais alongado em relação a outras variedades. O caule central também é mais macio, podendo também ser consumido sem dificuldades.

Onde pode ser encontrado

A produção do ‘Gomo de Mel’ ainda é bastante restrita e concentrada em regiões onde há tradição de experimentação agrícola, como São Paulo, Maringá (onde há maiores registros de comercialização regular), na Zona da Mata mineira e há notícias sobre experimentos no Sul da Bahia e Espírito Santo, geralmente por produtores que buscam a diversificação, mas cuja escala ainda é muito pequena e localizada.

Por que a distribuição é tão restrita?

O maior problema para a venda em grande escala do ‘Gomo de Mel’ é sua alta sensibilidade a fusariose, uma infecção causada por fungos que faz com que os frutos murchem e, se consumida por humanos, pode causar até comprometimentos pulmonares. 

A casca é frágil, o que dificulta o transporte para mercados distantes, e o ciclo de produção leva de 18 a 20 meses, enquanto outras variedades são colhidas entre 12 e 14 meses.

Perspectivas de expansão

Enquanto um abacaxi normal pode ser encontrado na praça por volta dos R$ 5 a R$ 7, um ‘Gomo de Mel’ não custa menos do que R$ 40. Mas a demanda crescente no mercado premium tem estimulado novos produtores e já há relatos de interesse de importadores chineses. Enquanto isso o Instituto Agronômico prossegue com suas pesquisas, em busca de uma nova linhagem, mais resistente, o que facilitará o transporte para outras regiões. 

Como o produto ainda está em uma fase considerada inicial de expansão, o que se sabe sobre a procura se baseia em dados imprecisos de produtores, como a JG Empreendimentos, de Campinas, que afirma haver grande procura pela variedade, mas sem apresentar números precisos. Em Maringá (PR), pequenos lotes de 40 unidades semanais esgotam com facilidade, sugerindo demanda acima da oferta. 

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