O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que mais de 12 mil ações penais relacionadas ao crime organizado seguem sem julgamento em tribunais de todo o país. Ao todo, são 12.448 processos pendentes, segundo dados divulgados nesta segunda-feira.
O levantamento mostra ainda um avanço significativo no volume de novos casos. Em cinco anos, o número mais do que dobrou, passando de 2.607 ações em 2020 para 6.761 em 2025 — um crescimento próximo de 160%.
Os dados foram apresentados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, Edson Fachin, durante evento em Brasília.
Crescimento dos processos preocupa autoridades
Ao comentar os números, Fachin alertou para os impactos do crime organizado sobre as instituições e a economia. Segundo ele, essas organizações atuam de forma estruturada, influenciando mercados legais e financiando atividades violentas.
O ministro destacou ainda que o crime organizado utiliza mecanismos financeiros para ocultar recursos ilícitos e, em alguns casos, chega a disputar com o Estado o controle de territórios vulneráveis.
Para ele, esse cenário evidencia a necessidade de maior eficiência no sistema de Justiça para garantir respostas mais rápidas e efetivas.
Baixa taxa de punição e entraves judiciais
Entre 2020 e 2025, apenas 1.140 ações resultaram em algum tipo de punição. No mesmo período, 526 processos foram julgados improcedentes, enquanto 292 deixaram de ter punição devido à morte dos acusados e 90 prescreveram.
De acordo com Fachin, os dados indicam a necessidade de investigar as causas da baixa efetividade em parte das ações penais.
O ministro ressaltou que, sem um Judiciário eficiente, investigações ficam incompletas, condenações se tornam frágeis e a recuperação de recursos desviados não se concretiza.
Defesa de integração no combate ao crime
As declarações foram feitas durante a abertura do Encontro Nacional sobre os Desafios do Poder Judiciário diante do crime organizado.
Na ocasião, Fachin defendeu a construção de um pacto entre diferentes instituições para enfrentar o problema de forma coordenada.
Ele também afirmou que as estratégias de combate precisam considerar as diferenças regionais do país, adaptando ações à realidade de cada local.






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