Chuvas provocaram interdições em rodovias no Estado do Rio; reabertura da Rio-Santos depende do tempo

Alagamento foi causado por um antigo problema estrutural, revela Concer

Prevista pelos serviços de meteorologia, a forte chuva que desabou sobre cidades do Estado do Rio nesta sexta-feira causou transtornos na volta para casa. Um imenso bolsão d’água na Rodovia Washington Luís (BR-040), na altura de Duque de Caxias, fechou os dois sentidos da estrada no fim da tarde. Uma hora depois, a via foi parcialmente aberta, mas o engarrafamento já chegava à Avenida Brasil e à Linha Vermelha. No início da noite, outra rodovia federal teve o tráfego paralisado: a Rio-Santos (BR-101).

De acordo com a concessionária Concer, que administra a Washington Luís (Rio-Juiz de Fora), o alagamento foi causado por um antigo problema estrutural. A empresa diz que desde 2010 defende a necessidade de elevar as pistas para que o assoreamento dos rios Iguaçu e Sarapuí não impacte a rodovia. O engarrafamento desta sexta-feira chegou a 15 quilômetros no sentido Juiz de Fora e a cinco quilômetros na outra direção.

Fechamento preventivo

Motoristas também encontraram obstáculos em Angra dos Reis, onde um trecho de três quilômetros da Rio-Santos foi interditado preventivamente, nos dois sentidos, devido ao risco de queda de barreiras. As pistas da mesma rodovia também foram fechadas na altura de Mangaratiba. A concessionária CCR explicou que não foram registrados deslizamentos, mas o fluxo foi interrompido para garantir a segurança dos usuários. Em Angra dos Reis, choveu 127mm em 24 horas. À noite, a informação era que a concessionária só liberaria o tráfego quando as condições meteorológicas permitissem.

A previsão para este sábado não é promissora. De acordo com a Climatempo, são esperados 95mm de chuva em Angra, para onde o Corpo de Bombeiros transferiu seu centro de comando na noite desta sexta-feira. Na cidade vizinha, Paraty, o previsto é de 130mm. O volume na capital deve ser menor, mas ainda alto: 70mm.

Diante do alerta de três dias de chuvas fortes feito por autoridades, cariocas e fluminenses tiveram que mudar suas rotinas. Quem pôde evitou sair de casa nesta sexta. O reflexo foi a redução de carros circulando no início da noite na capital: em pleno horário de rush, o trânsito na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, fluía sem entraves. O movimento também foi reduzido no Centro. Dono de um bar no Bafo da Prainha, na Região Portuária, Raphael Vidal liberou seus funcionários às 15h e fechou as portas.

— É uma sexta-feira em que muitos já receberam o salário. Isso é quase um “eclipse” para um bar. Mas é uma questão de civilidade seguir as orientações da Defesa Civil. O trabalhador sofre preocupado com sua família e depois para voltar para casa — disse ele, que avaliará novamente a previsão do tempo para tomar a decisão de abrir o estabelecimento neste sábado.

Uma das cidades que estão em alerta para as fortes chuvas previstas para o fim de semana, Petrópolis, na Região Serrana, teve uma sexta-feira atípica. As ruas, normalmente agitadas por turistas e moradores apressados, pareciam adormecidas. No bairro Alto da Serra — uma das regiões mais afetadas pelos deslizamentos de dois anos atrás —, a costureira Andreia Marques, de 57 anos, mantém uma rotina de vigilância. A casa dela é a única da rua que não está interditada. Ao olhar pela janela, vê pelo menos seis imóveis abandonados. Mesmo assim, diz que não pretende sair dali:

— Eu deixo a bolsa pronta e a lanterna carregada, mas mesmo com muita chuva vou ficar em casa. Já vi esse morro descer em 1988 e saí correndo em 2022. A gente aprende a ficar alerta.

Na noite desta sexta, a Defesa Civil de Petrópolis abriu seis pontos de apoio em cinco regiões da cidade, para onde moradores devem ir em caso de risco. O locais foram abastecidos com água, colchões e alimentos, caso desalojados precisem de ajuda.

Bombeiros sem folga

O governo estadual doou 500 colchonetes, kits de limpeza e água potável para reforçar o estoque da cidade. O alerta dos meteorologistas fez o governo suspender as folgas dos militares do Corpo de Bombeiros neste fim de semana. Além de Petrópolis, há uma grande preocupação com o impacto dos temporais na Baixada e em Angra.

Na capital, a prefeitura fez um mutirão para a limpeza de bueiros.

— Todo esse trabalho preventivo é importante, para amenizar o impacto provocado por uma chuva volumosa. O objetivo é que o tempo de reação da cidade seja cada vez mais rápido — diz o secretário municipal de Conservação, Diego Vaz.

Com informações de O Globo

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