Chuvas no Rio: estado apresenta risco hidrológico moderado e 4 cidades têm nível alto para deslizamento

Municípios fluminenses estão em alerta desde a última sexta-feira (4), após passagem de frente fria mudar o tempo

O estado do Rio de Janeiro permanece em alerta desde a última sexta-feira (4), quando a passagem de uma frente fria alterou as condições meteorológicas, provocando chuvas intensas e uma queda na temperatura. No início desta semana, a precipitação diminuiu e os termômetros começaram a subir novamente. No entanto, a Defesa Civil do Estado e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais do RJ (Cemaden-RJ) mantêm todos os 92 municípios em risco hidrológico de nível médio, na manhã desta segunda-feira.

Quanto ao risco de deslizamentos, a situação é mais tranquila na maioria das cidades, com apenas 16 apresentando risco moderado e alto, segundo o monitoramento das 9h desta segunda-feira. As cidades em risco alto são:

  • Angra dos Reis
  • Teresópolis
  • Duque de Caxias
  • Petrópolis

As cidades com risco moderado são:

  • Bom Jardim
  • Mangaratiba
  • Paraty
  • Belford Roxo
  • Rio de Janeiro
  • Guapimirim
  • Magé
  • Mesquita
  • Nova Friburgo
  • Nilópolis
  • Nova Iguaçu
  • São João de Meriti

Nesta manhã, o Cemaden nacional destacou parte do Rio de Janeiro com risco geo-hidrológicos moderado para “Região Geográfica Intermediária de Petrópolis e Rio de Janeiro (RJ), incluindo Angra dos Reis, devido aos acumulados extraordinários das últimas 48 horas (ultrapassando 300mm em algumas localidades) que elevaram consideravelmente a umidade do solo”. Segundo o órgão, entre os desdobramentos possíveis está a ocorrência de “deslizamentos de terra pontuais em áreas urbanas, bem como, eventuais quedas de barreira às margens de rodovias”.

— A gente tem uma situação ainda, no estado inteiro, que demanda preocupação nossa. Passamos da pior fase sem nenhuma vítima fatal em todo o estado do Rio de Janeiro. Mantém-se essa situação por conta do acumulado das chuvas desde a última quinta-feira. A gente tem essa preocupação, tanto por conta do aumento do nível dos rios, do acumulado da chuva que caiu no estado em todo esse período, e por conta do acumulado. O solo encharca nesse tempo, então temos áreas que demandam mais preocupação por conta de desabamento e deslizamento de terra — explica o Subsecretário de Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, Lauro Botto, em entrevista do “Bom Dia Rio”, da TV Globo, nesta manhã.

Os maiores acumulados de chuva entre a última sexta-feira (4) e a madrugada desta segunda-feira são:

  • Teresópolis, com 442,4mm
  • Angra dos Reis, com 401,8mm
  • Petrópolis, com 391,8mm
  • Belford Roxo, com 236,2mm
  • Duque de Caxias, com 220,6mm

Os dados são do Cemaden RJ, Alerta Rio e Inmet.

Na cidade do Rio de Janeiro, o Alerta Rio contabilizou, em três dias, de sexta-feira a domingo, 118,8mm de chuva, que já ultrapassa o que é esperado da média para todo o mês de abril, de 112,8mm. A cidade segue no estágio 2, o segundo nível em uma escala de cinco, acionado quando há riscos de ocorrências de alto impacto na cidade.

Já os principais acumulados num período de 24 horas, num balanço até as 6h desta segunda-feira, a Defesa Civil do Estado do RJ e o Cemaden-RJ destacam:

  • Campos dos Goytacazes, com 62,8mm
  • Nova Friburgo, com 54,6mm
  • Petrópolis, com 51,4mm
  • Teresópolis, com 47,2mm
  • Rio de Janeiro, com 34,2mm

Situação de emergência

O governo federal declarou situação de emergência nos municípios de Petrópolis, na Região Serrana, e Angra dos Reis, no Sul do estado, devido às fortes chuvas que afetaram o Rio de Janeiro entre sexta-feira e domingo. Com essa medida, as duas cidades poderão solicitar recursos federais para ações de defesa civil, como aquisição de cestas básicas, água mineral, refeições para trabalhadores e voluntários, kits de limpeza para residências, higiene pessoal e dormitório, entre outros.

Petrópolis em observação

Na tarde de domingo, a prefeitura de Petrópolis alterou o estágio operacional para “observação”, devido à previsão de ausência de chuvas fortes nos próximos dias. Na noite de ontem, todos os pontos de apoio foram desmobilizados. No sábado, a cidade já havia decretado estado de emergência devido ao grande volume de chuvas.

Na manhã desta segunda-feira, a Enel Distribuição Rio, responsável pelo fornecimento de energia no município, informou que 97% dos clientes afetados pelas chuvas já tiveram o fornecimento normalizado. “Em Petrópolis, há, no momento, 864 clientes sem energia, o que corresponde a 0,49% do total de clientes da distribuidora na cidade”, afirmou a nota divulgada hoje.

A empresa também destacou que o número de equipes nas ruas foi mais que dobrado para atender as ocorrências. No entanto, os impactos das chuvas, como a presença de bolsões d’água e a queda de árvores, representam um desafio para a normalização do serviço. “A complexidade de alguns reparos, que exigem a reconstrução de grandes trechos da rede, pode demandar mais tempo de serviço em cada local”, afirmou a distribuidora.

Rodovia Rio-Teresópolis (BR-116) liberada

No sábado, o trecho da Serra Rio-Teresópolis (BR-116), entre os quilômetros 93 e 108, ficou interditado nos dois sentidos devido a chuvas fortes e ventos que causaram quedas de galhos de árvores da encosta. A Ecovias Rio Minas, concessionária responsável pela rodovia, informou em suas redes sociais que, após vistoria e limpeza completa da via, o trecho foi liberado nos dois sentidos às 01h01 desta segunda-feira.

Balanço das chuvas

Entre a última sexta-feira (4) e o início da manhã desta segunda-feira, o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro registrou 568 ocorrências relacionadas às chuvas. Isso inclui 313 cortes de árvores, 174 resgates de animais, 37 alagamentos, 18 deslizamentos de terra, entre outros. A corporação também fez o resgate de 81 vítimas, todas sem gravidade. Cerca de 523 pessoas estão desalojadas e 48 desabrigadas no estado, sem registros de óbitos causados pelas chuvas.

Para a operação de prevenção e mitigação dos efeitos das chuvas, o CBMERJ tem empenhado cerca de 1.600 militares por dia. Entre as equipes estão os Grupos de Resposta a Desastres, compostos por especialistas em inundações, alagamentos, enxurradas, deslizamentos, desabamentos e soterramentos.

Com informações de O GLOBO.

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