* Caio de Santis
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, confirmou que a cassação do deputado federal Chiquinho Brazão, preso por arquitetar a execução da vereadora Marielle Franco em 2018 de acordo com investigação da Polícia Federal, deve ser pautada na Casa até dezembro. Lira espera apenas o retorno do trabalho presencial, interrompido para o segundo turno das eleições municipais, para convocar a sessão que definirá o destino do parlamentar. Logo, a partir de novembro, isso já pode acontecer. Brazão nega participação no crime.
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a CCJ, aprovou no fim de agosto parecer pela cassação do mandato do parlamentar. Ele interpôs um recurso, que foi negado pelo colegiado. Agora, para que o mandato seja cassado no plenário, são necessários ao menos 257 votos favoráveis dos deputados. A perda de mandato é considerada certa, caso seja pautado, já que há grande mobilização da base governista e dos partidos de centro em torno da morte de Marielle. Até mesmo por isso, Lira se recusava em submeter o tema a uma sessão virtual e faz questão de que ocorra presencialmente.
Brazão foi preso em 24 de março e é um dos três acusados de mandar matar Marielle. O seu irmão, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão, e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa também são investigados por envolvimento na morte da vereadora e do motorista dela, Anderson Gomes.
Ao prestar depoimento no Supremo Tribunal Federal, por meio de videochamada, Chiquinho Brazão se emocionou e chorou. No segundo dia contou que nunca se interessou em receber denúncias contra facções criminosas.
– Caso de polícia, eu nunca tratei. Eu nunca me interessei. A Marielle também corria desses assuntos. Tenho família que frequenta Jacarepaguá. Não quero saber o que é milícia ou o que é tráfico – disse.
O deputado federal falou ainda que Marielle era uma pessoa muito amável:
– Fizeram uma maldade muito grande com ela. Marielle sempre foi minha amiga. Era uma vereadora muito amável e com quem a gente tinha uma boa relação. Ela (Marielle) sempre foi muito respeitosa e carinhosa – disse Chiquinho Brazão.





