O caso do estupro coletivo da adolescente de 17 anos em Copacabana, que ganhou o noticiário esta semana, repercutiu entre os parlamentares da Câmara do Rio na sessão plenária desta terça-feira (3). Quem puxou o tema foi Maíra do MST (PT), primeira a ir ao microfone e cobrar que o assunto precisa ser tratado como pauta prioritária da Casa.
O crime, que está sendo investigado pela Polícia Civil, ocorreu no dia 31 de janeiro e envolveu quatro homens com idades entre 18 e 20 anos e um menor. Em depoimento, a vítima relatou ter sido atraída até o apartamento de um dos agressores e submetida violência sexual, coação e agressões físicas.
“Este é um tema que afeta todas as mulheres e meninas e que atinge a todos nós aqui do plenário. Todos temos filhas, sobrinhas, netas, e a gente precisa olhar para nossas infâncias e defendê-las. Justamente por isso a gente se pergunta: até quando corpos de meninas e mulheres serão objetos de disputa? Até quando nossos corpos serão subjugados e assolados pela violência sexual e simbólica?”, sublinhou Maíra.
A parlamentar anunciou que vai protocolar um projeto de lei que propõe a criação de ações pedagógicas nas escolas voltadas à prevenção da radicalização de jovens e adolescentes, especialmente em ambientes digitais.
Thais Ferreira (Psol) também foi ao microfone para cobrar que a pauta saia do campo simbólico. Ela pediu maior comprometimento da política com a defesa das mulheres e criticou o silêncio de parte dos colegas diante da gravidade dos episódios recentes.
“Não estou interessada apenas em punir agressores, mas em impedir que novos sejam formados. Nós precisamos, sem lar ideológico, pactuar pela defesa da vida das mulheres. Enquanto este tema não for central na agenda política de toda a sociedade nós não estaremos seguras. Precisamos de mais mulheres nos espaços de tomada de poder e decisão, porque só nós estamos interessadas em proteger nossas vidas”, disse a vereadora. “Homens, melhorem vindo aqui fazer posicionamento em defesa da vida das mulheres. Não adianta só querer colocar uma cor roxa para dizer que nos representa”, continuou.
‘Temos responsabilidade sobre isso’
O vereador William Siri (Psol), mais novo líder da bancada psolista, também foi à tribuna e direcionou sua fala aos colegas de parlamento. “Quero falar diretamente com os homens desta Casa, que é a maioria. A gente deveria falar do que aconteceu nesses últimos dias, é algo pra se indignar. Temos responsabilidade sobre isso. Precisamos acabar com a cultura do machismo e de um investimento massivo em políticas de proteção às mulheres. Não é questão de ideologia, é realidade. Mulheres estão sendo mortas e estupradas”.
Dois suspeitos foram presos
Enquanto o debate ocorria na Cinelândia, dois dos suspeitos do crime se entregaram nesta tarde: João Gabriel Xavier Bertho, que era jogador do Serrano FC, e Matheus Veríssimo Zoel Martins, de 19 anos.
A Polícia Civil ainda busca localizar Bruno Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simoni, filho do subsecretário estadual de Direitos Humanos, José Carlos Simonin, que foi exonerado do cargo após a repercussão do crime. O caso está à cargo da 12ª DP (Copacabana).






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