‘Bonitão’ na mira da Interpol: quem é o policial penal que está foragido do STF

Procurado na Operação Anomalia, Luciano de Lima Fagundes Pinheiro é suspeito de atuar como intermediário político para atrasar a extradição de um criminoso internacional; PF afirma que ele pode estar nos Estados Unidos.

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal a inclusão do nome do policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro na Difusão Vermelha da Interpol. Conhecido pelo apelido de ‘Bonitão’, ele é considerado foragido desde o início da semana após ser alvo da Operação Anomalia.

As investigações indicam que o servidor teria atuado para tentar retardar a extradição de um traficante internacional de drogas preso no Brasil. Segundo a PF, há indícios de que o policial penal esteja atualmente fora do país, possivelmente nos Estados Unidos.

Mesmo com o mandado de prisão em aberto, ‘Bonitão’ recebeu dois pagamentos do governo estadual no mês de fevereiro. Um deles foi feito pela Secretaria de Administração Penitenciária, no valor de R$ 2.963,99, e o outro pelo Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, de R$ 3.234,74, totalizando R$ 6.198,73.

Histórico inclui atuação como segurança de jogadores

Antes de ingressar no sistema penitenciário, Luciano Pinheiro trabalhou como segurança particular de jogadores de futebol no início da década de 2010. A atuação ocorreu principalmente junto a atletas brasileiros que atuavam em clubes da Rússia.

O policial penal também já teve passagem pela polícia. Em 2014, ele foi preso na Maré sob suspeita de atuar como informante do traficante Marcelo das Dores, conhecido como Menor P. Na ocasião, foi apontado como elo entre o criminoso e Antonio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha.

Apesar das acusações, ele respondeu ao processo em liberdade e posteriormente cumpriu pena após condenação. Com o tempo, obteve reabilitação criminal concedida pela Justiça.

Investigação interna e suspeita de visita a “faraó dos bitcoins”

O nome de ‘Bonitão’ voltou a aparecer em investigações em agosto de 2021, quando a Secretaria de Administração Penitenciária apurou a entrada irregular de visitantes na prisão onde estava Glaidson Acácio, conhecido como “faraó dos bitcoins”.

Segundo a corregedoria da pasta, quatro pessoas teriam visitado o preso durante um período de quarentena. Entre elas estava um homem identificado apenas como Luciano, que apresentou um número de matrícula já desativado.

Na época, reportagem da TV Globo apontou que se tratava de Luciano Pinheiro. O policial penal negou ter feito a visita ao empresário investigado.

Passagem pela Alerj e atuação em Brasília

Sem impedimentos judiciais na ocasião, Pinheiro acabou sendo nomeado para trabalhar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Posteriormente, foi cedido para atuar em Brasília onde permaneceu até fevereiro de 2025. Há relatos de que ele dividia a rotina entre o Rio de Janeiro e os Estados Unidos.

Operação Anomalia e suspeita de lobby para extradição

A Operação Anomalia foi deflagrada pela Polícia Federal na segunda-feira, com quatro mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes. Três suspeitos foram detidos: o delegado federal Fabrizio Romano, o ex-secretário de Esportes Alexandre Carracena e a advogada Patrícia Falcão.

De acordo com a investigação, o grupo teria tentado interferir no processo de extradição do traficante Gerel Lusiano Palm. Natural de Curaçao, ele foi condenado por homicídio na Holanda e também é investigado pela agência antidrogas dos Estados Unidos por tráfico internacional.

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça indicam que Luciano Pinheiro teria recebido um adiantamento de R$ 15 mil para intermediar contatos políticos em Brasília. Caso a extradição fosse suspensa, ele receberia mais R$ 150 mil pagos pela advogada envolvida no caso.

Gerel Palm foi preso no Rio de Janeiro em 2021 em ação da Interpol e permanece no sistema penitenciário do estado enquanto o processo de extradição segue em análise. Até o momento, Luciano de Lima Fagundes Pinheiro não foi localizado pelas autoridades.

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