Um incidente envolvendo uma embarcação da Guarda Civil espanhola e uma lancha que transportava migrantes gerou grande repercussão nas redes sociais e críticas de organizações de direitos humanos. O caso ocorreu no último domingo (25) próximo ao território espanhol de Melilla, no norte da África. Durante uma perseguição, o barco da Guarda Civil passou por cima da lancha, fazendo com que os migrantes caíssem no mar. Segundo autoridades citadas pelo jornal El Periódico, ninguém ficou ferido, e os quatro migrantes, que tentavam entrar de forma irregular na Espanha, foram detidos e entregues às autoridades do Marrocos.
Organizações de apoio aos migrantes condenaram a ação. A Associação Marroquina de Direitos Humanos a classificou como violenta e perigosa, exigindo que o governo espanhol investigue a conduta dos agentes envolvidos. O episódio traz à tona o debate sobre o aumento da chegada de migrantes à Espanha, um dos principais pontos de entrada na Europa para aqueles que buscam melhores condições de vida.
De acordo com o Ministério do Interior da Espanha, 56.852 pessoas entraram no país de forma irregular em 2023, quase o dobro do número registrado no ano anterior. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, está realizando um giro por países da África Ocidental para tentar conter o fluxo migratório. Nesta quarta-feira (28), ele assinou acordos na Gâmbia, e, no dia anterior, na Mauritânia, para reforçar o combate ao tráfico de pessoas.
O fluxo migratório na rota da África Ocidental para a Espanha aumentou 154% este ano, conforme dados da Frontex, a agência europeia de guarda de fronteiras. Até o último dia 15, mais de 22,3 mil migrantes chegaram de forma irregular às Ilhas Canárias, território espanhol. A rota atlântica, embora frequente, é uma das mais perigosas, devido às fortes correntes e às condições precárias das embarcações, frequentemente sobrecarregadas e sem estrutura para longas travessias.
A ONG espanhola Caminando Fronteras registrou mais de 5 mil mortes de migrantes que tentavam chegar à Espanha pelo mar nos cinco primeiros meses deste ano, uma média de 33 mortes por dia. Esse número representa um aumento alarmante em comparação ao ano anterior, quando a média era de 18 mortes diárias. A entidade afirma que essa é a maior média diária de mortes desde o início da série histórica, em 2007.
Com informações da Folha de S. Paulo.





