Bacellar se reúne com Flávio Bolsonaro e prefeitos após demitir Washington Reis do governo do Rio

Governador interino tenta reforçar alianças políticas em meio a disputa interna no governo estadual

O governador interino do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União), se reuniu nesta sexta-feira (04) com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e prefeitos da Região dos Lagos, em Búzios, um dia após protagonizar uma decisão polêmica: a demissão do secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB), seu desafeto político e possível concorrente nas eleições de 2026. Bacellar, que assumiu o cargo interinamente durante a viagem do governador Cláudio Castro (PL) ao exterior, não consultou o chefe do Executivo sobre a decisão, o que gerou divisão na base governista e acirrou ainda mais os ânimos no cenário político fluminense.

A demissão de Reis, que foi afastado de forma abrupta, gerou repercussão e tensões dentro do Palácio Guanabara, com temores sobre a capacidade de Bacellar de manter uma aliança sólida para sua possível candidatura ao governo em 2026. “Estamos todos unidos no mesmo objetivo: trabalhar para o bem do estado do Rio de Janeiro”, afirmou Bacellar durante o encontro, em um esforço para reforçar sua imagem como líder da base aliada, informa O Globo.

Por outro lado, Bacellar tenta usar a proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um trampolim para sua candidatura, buscando o apoio do bolsonarismo. Durante a reunião em Búzios, que teve a participação de vários prefeitos da região, o ambiente foi marcado por tentativas de alinhamento político.

O prefeito local, Alexandre Martins (Republicanos), um nome próximo de Bolsonaro, foi o anfitrião do evento. Além dele, prefeitos de cidades como Araruama, São Pedro da Aldeia e Trajano de Moraes também marcaram presença. O encontro teve como foco o lançamento de obras de pavimentação, inauguração de uma base de segurança e ações de regularização de documentos para a população.

Reis diz que decisão de Bacellar não tem valor

Apesar das tentativas de consolidar apoio, o episódio da demissão de Reis ainda reverbera. O ex-secretário, que mantém forte base política na Baixada Fluminense, afirmou que a decisão de Bacellar “não tem valor” e prometeu tratar de seu futuro no governo apenas quando Cláudio Castro retornar. O ex-secretário, que já foi aliado de Lula e Dilma Rousseff, se distanciou do PT ao se aproximar de Bolsonaro nas últimas eleições, o que gerou especulações sobre sua aproximação com o prefeito Eduardo Paes (PSD). Esses sinais têm sido explorados por aliados de Bacellar para tentar desacreditar Reis, associando-o à ala mais à esquerda da política fluminense.

A reação do PL, no entanto, foi imediata. Líderes do partido, como o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), prestaram solidariedade a Washington Reis, chamando-o de “futuro governador”. Por outro lado, o deputado Carlos Jordy e o senador Carlos Portinho, ambos do PL, criticaram duramente a decisão de Bacellar, apontando-a como uma demonstração de “arrogância” e “falta de união”. Portinho, em especial, acusou Bacellar de enfraquecer a base da direita no estado ao tomar uma atitude isolada e descoordenada.

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