Vídeo: Ativista brasileiro chega a São Paulo após ser detido por Israel em missão humanitária rumo a Gaza

Thiago Ávila participou de barco com ajuda humanitária interceptado em águas internacionais e denuncia maus-tratos durante detenção

O ativista brasileiro Thiago Ávila, de 38 anos, desembarcou na manhã desta sexta-feira (13) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após ser detido por Israel durante uma tentativa de romper o bloqueio imposto à Faixa de Gaza. O avião com Ávila pousou por volta das 5h40, após uma escala em Madri. Ele havia sido preso no domingo (8) e libertado na quinta-feira (12). As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Cerca de 50 manifestantes o aguardavam no saguão, com bandeiras da Palestina e cartazes pedindo boicote a Israel. Familiares também estavam no local para recepcioná-lo.

Ávila integrou a tripulação do Madleen, embarcação coordenada pela coalizão internacional Freedom Flotilla, que buscava entregar ajuda humanitária simbólica a Gaza. O barco foi interceptado pela Marinha israelense a cerca de 180 quilômetros da costa palestina, ainda em águas internacionais. A bordo, além do brasileiro, estavam a ativista sueca Greta Thunberg e a eurodeputada franco-palestina Rima Hassan.

Durante a detenção, segundo seus familiares, Ávila foi submetido a maus-tratos. Ele teria sido mantido em isolamento e iniciou uma greve de fome após se recusar a assinar um documento de deportação, no qual era acusado de entrada ilegal em Israel. A defesa do ativista argumenta que ele foi levado à força para o território israelense após a interceptação do barco em área neutra.

Depois da liberação dos passageiros, o governo israelense ironizou o episódio em sua conta oficial nas redes sociais: “Bye-bye — e não se esqueçam de tirar uma selfie antes de partirem”. Tel Aviv acusou os ativistas de “encenar uma provocação midiática com intenção de fazer publicidade”.

Missão humanitária e tensão internacional

Desde outubro de 2023, quando o Hamas fez um ataque a Israel e o país sionista partiu para retaliação, o bloqueio imposto por Tel Aviv à Faixa de Gaza se intensificou. Entre março e maio deste ano, a região chegou a passar 11 semanas sem receber qualquer carregamento de ajuda humanitária. O governo israelense alega que o grupo militante Hamas desvia e revende os suprimentos a preços abusivos. Já as Nações Unidas afirmam que não há provas de que isso tenha, de fato, ocorrido.

Ao menos quatro dos 12 tripulantes do Madleen, incluindo Greta Thunberg, foram soltos rapidamente após assinarem o termo de deportação. Outros oito, entre eles Thiago Ávila, recusaram-se a validar o documento e só foram liberados posteriormente.

Trajetória de ativismo e confrontos anteriores

Com mais de 800 mil seguidores nas redes sociais, Thiago Ávila é uma figura conhecida na militância por justiça climática e em defesa da causa palestina. Nascido em Brasília, é cofundador do movimento Bem Viver no Brasil, baseado em filosofias indígenas andinas, e ajudou a criar os coletivos Insurgência e Subverta. Também atuou para expandir a presença do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) no Distrito Federal.

Ações de alto impacto, com transmissões ao vivo e confrontos diretos com autoridades, marcam sua trajetória. Em 2021, foi preso duas vezes ao tentar barrar despejos durante a pandemia, transmitindo uma das detenções ao vivo. Responde a três processos judiciais por suas ações diretas e protestos, um deles por resistência a reintegrações de posse dada sua atuação no MTST.

Com o retorno ao Brasil, Ávila ainda não se pronunciou oficialmente sobre sua detenção ou os próximos passos de sua atuação política.

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