Ataques de Braga Netto foram tentativa de me desviar do caminho certo, diz ex-comandante da Aeronáutica

Brigadeiro Baptista Junior revela pressão sofrida por ele e sua família ao se opor à trama golpista e afirma que golpe fracassou por falta de apoio unânime nas Forças Armadas

Em depoimento prestado nesta quarta-feira (21) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, afirmou que sofreu ataques, tanto contra sua pessoa quanto contra sua família, por parte do general Walter Braga Netto. Segundo Baptista Junior, esses ataques foram uma tentativa de pressioná-lo a aderir à minuta golpista discutida nos bastidores do governo de Jair Bolsonaro, que tinha como objetivo impedir a posse do presidente Lula. A informação foi apurada com base nos relatos do próprio brigadeiro durante o depoimento, conta Malu Gaspar, em O Globo.

“Minha posição sempre foi muito firme. Minhas convicções não seriam nem serão atingidas com esse tipo de ataque. Mas quando atinge a família é chato. É uma tentativa infrutífera de me desviar do caminho certo. Esse não é o caminho. E não deu certo nem dará”, declarou Baptista Junior, ressaltando a força de sua resistência às pressões.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou o ex-comandante sobre a existência de pressões presenciais ou virtuais após sua recusa em apoiar o golpe. Baptista Junior confirmou que os ataques foram numerosos e enfatizou o impacto emocional para sua família: “Muitas, não só à minha pessoa, mas à minha família, o que foi muito difícil”.

Durante o interrogatório, o brigadeiro identificou Braga Netto como uma das principais fontes dessas investidas. As investigações da Polícia Federal, que apuram a trama golpista, indicam que o ex-ministro da Defesa e da Casa Civil orientou militares favoráveis ao golpe a atacarem nas redes sociais o atual comandante do Exército, general Tomás Paiva, e outros oficiais que ele qualificava como “esquerdistas” ou “comunistas”, usando a expressão pejorativa “melancias” — verdes por fora, vermelhos por dentro.

“Infelizmente, sim, senhor, o general Braga Netto foi um deles. E os outros eu não conhecia”, afirmou Baptista Junior.

O brigadeiro também relatou que, apesar de ter fechado sua conta no Twitter devido aos ataques, continua a ser alvo por meio de perfis que o chamam de “melancia”. “Tenho até hoje perfis no Twitter que colocam ataques a mim, me chamando de ‘melancia’”, disse.

No encerramento do depoimento, o ministro Luiz Fux perguntou por que, na visão de Baptista Junior, a articulação golpista não prosperou. O ex-comandante respondeu com firmeza que a ausência de uma “participação unânime das Forças Armadas” foi o fator decisivo para o fracasso da tentativa de golpe.

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