Ataque hacker faz BTG suspender Pix após desvio milionário

Banco interrompe transações preventivamente e afirma que dados de clientes não foram comprometidos

O BTG Pactual suspendeu temporariamente as operações via Pix neste domingo (22) após identificar movimentações consideradas fora do padrão em seu sistema. A medida foi adotada de forma preventiva após a detecção de um ataque hacker que teria desviado cerca de R$ 100 milhões, segundo estimativas iniciais.

De acordo com a instituição financeira, as irregularidades foram identificadas ainda pela manhã, o que levou à interrupção imediata do serviço enquanto o caso é investigado internamente. O banco destacou que a decisão visa garantir a segurança das operações e evitar novos impactos.

Em comunicado oficial, o BTG afirmou que não houve acesso indevido a contas de clientes, nem exposição de dados sensíveis. A instituição reforçou que a proteção das informações dos correntistas segue como prioridade.

Banco tenta recuperar valores desviados

Fontes ligadas ao caso indicam que o banco já conseguiu recuperar a maior parte do montante desviado durante o ataque. Ainda assim, a recomposição total dos valores depende da recuperação de uma quantia estimada entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões.

Mesmo com a suspensão do Pix, o BTG informou que segue operando normalmente por meio de outros canais de atendimento. Clientes continuam podendo acessar serviços bancários por plataformas digitais e suporte oficial.

O alerta sobre as movimentações suspeitas foi emitido pelo Banco Central, também na manhã de domingo. A autoridade monetária destacou que seus sistemas não foram afetados e que o funcionamento do Pix no país seguiu normalmente.

Histórico de ataques acende alerta no setor

Este não é o primeiro incidente de segurança envolvendo o BTG. Em 2024, o Banco Central identificou o vazamento de dados cadastrais relacionados a mais de 8 mil chaves Pix da instituição, incluindo informações como nome, agência e tipo de conta.

Nos últimos meses, outros episódios também evidenciaram fragilidades no sistema financeiro. Um dos casos mais relevantes envolveu a C&M Software, quando hackers desviaram mais de R$ 800 milhões ao explorar falhas em sistemas de tecnologia utilizados por instituições financeiras.

Outro ataque de grande repercussão ocorreu com a Sinqia, resultando no roubo de cerca de R$ 710 milhões via Pix, afetando diferentes empresas do setor.

Novos incidentes reforçam preocupação com segurança

Mais recentemente, o Banco Central também reportou incidentes envolvendo outras instituições, como a exposição de dados cadastrais vinculados a chaves Pix sob responsabilidade da Pefisa. Segundo o órgão, essas informações não permitem movimentações financeiras nem acesso a contas.

Apesar disso, a sequência de ataques cibernéticos tem elevado o nível de atenção sobre a segurança digital no sistema bancário brasileiro. Especialistas apontam que, embora não haja comprometimento direto de contas na maioria dos casos, as ocorrências reforçam a necessidade de investimentos contínuos em proteção tecnológica.

O episódio mais recente envolvendo o BTG reacende o debate sobre vulnerabilidades e a importância de respostas rápidas para conter prejuízos e preservar a confiança dos clientes.

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