Após regulamentar fiscalização no Rio, Paes alerta para risco de bebidas adulteradas: ‘É bom redobrar a atenção’

Prefeito reforça cuidados contra intoxicação por metanol e bares mudam práticas para manter a confiança do consumidor

O avanço dos casos de intoxicação por metanol em São Paulo, que já deixaram seis mortos e 31 hospitalizados, e as suspeitas de novas ocorrências em Pernambuco, acenderam um alerta no Rio de Janeiro. Embora a cidade ainda não tenha registrado vítimas, o prefeito Eduardo Paes anunciou medidas de prevenção e usou as redes sociais para pedir atenção redobrada à população.

“Não sabemos a dimensão dessa crise e é bom redobrar a atenção!”, escreveu Paes, ao lembrar que determinou rigor máximo na fiscalização de estabelecimentos produtores de bebidas alcoólicas na capital. “Procurem não consumir destilados em locais onde você não consiga ter a certeza de que foram adquiridos de distribuidoras confiáveis.”

Mudança de hábitos no consumo

O medo da intoxicação vem alterando hábitos nas duas maiores cidades do país. Em São Paulo, a boemia de bairros como Vila Madalena e Pinheiros já sente o impacto. Em bares tradicionais de drinques, como o Boca de Ouro, clientes passaram a evitar destilados e coquetéis, preferindo cervejas, vinhos e bebidas consideradas de menor risco.

No Rio, a preocupação se espalhou da praia à vida noturna. Em Copacabana, um grupo de amigos de Petrópolis levou para a areia o próprio uísque, comprado em distribuidora de confiança, para evitar riscos. Vendedores relatam queda na procura por destilados.

Donos de bares e restaurantes também reagiram. Muitos correram às redes sociais para divulgar o nome de seus fornecedores e anunciar medidas extras de segurança, como etiquetas adicionais de procedência nas garrafas, na tentativa de transmitir confiança ao público.

Fiscalização ampliada no município

A Prefeitura do Rio regulamentou nesta semana uma lei municipal de 2018 que autoriza o município a fiscalizar fábricas de bebidas alcoólicas, tarefa que antes cabia apenas à União. O novo modelo depende de credenciamento junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mas já prevê atuação em 67 estabelecimentos da cidade, entre produtores de cerveja, vinho e destilados. Cinco fábricas são de bebidas fortes, uma delas interditada.

Com a medida, o município terá mais autonomia para verificar a origem, a qualidade e a regularidade de bebidas produzidas em seu território. A ação, segundo Paes, busca evitar que adulterações coloquem em risco a saúde pública.

Como identificar bebidas adulteradas

Para ajudar consumidores e comerciantes, a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape) lança nesta sexta-feira uma cartilha em parceria com a Secretaria estadual de Defesa do Consumidor. O material reúne sete sinais que ajudam a identificar bebidas falsificadas e orienta sobre o descarte correto das garrafas, para evitar que embalagens sejam reutilizadas por criminosos.

Entre as dicas estão:

  • Tampa – desconfie de lacres borrados, soltos ou com vazamentos. Destilados devem trazer selo do IPI em papel-moeda.
  • Nível do líquido – compare garrafas do mesmo rótulo; diferenças podem indicar adulteração.
  • Rótulo – erros de grafia e impressão de baixa qualidade são sinais de falsificação.
  • Garrafa – arranhões, sinais de uso ou embalagens mal conservadas devem ser observados.
  • Preço – promoções existem, mas valores muito abaixo da média merecem desconfiança.
  • Aparência – líquido turvo, tampa amassada ou cor desbotada são alertas.
  • Local de compra – sempre prefira fornecedores de boa reputação e estabelecimentos confiáveis.

Risco nacional, vigilância local

O surto de intoxicação em São Paulo expôs um problema que pode atingir outras regiões do país. Enquanto autoridades de saúde monitoram os casos, o Rio busca se antecipar, ampliando a fiscalização e alertando os consumidores.

“Estamos diante de uma crise que pode ganhar proporções maiores. Cabe ao poder público e também à sociedade reforçar os cuidados para evitar tragédias”, destacou Eduardo Paes.

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