Alerj marca 20 anos de lei do vagão feminino e debate segurança no transporte

Evento no Palácio Tiradentes reúne órgãos públicos e destaca dado de que 97% das mulheres relatam assédio em transporte coletivo

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro promoveu, nesta terça-feira (24), uma solenidade para marcar os 20 anos da Lei nº 4.733/2006, que instituiu vagões exclusivos para mulheres em trens e metrô.

Realizado no Palácio Tiradentes, o encontro reuniu representantes de diferentes instituições e trouxe à discussão a eficácia da medida e os desafios ainda enfrentados pelas passageiras no sistema de transporte público.

Durante o evento, dados do Instituto Patrícia Galvão foram apresentados e apontaram que 97% das mulheres que utilizam transporte público afirmam já ter sofrido assédio sexual, número que pautou boa parte dos debates.

Histórico da medida

A lei estadual foi criada com o objetivo de oferecer mais segurança às mulheres em horários de maior movimento. Ao longo de duas décadas, a política passou por ajustes e se consolidou como uma das principais iniciativas voltadas ao enfrentamento do assédio no transporte coletivo.

À frente da cerimônia, o deputado Rafael Picciani destacou que a medida teve impacto na proteção das passageiras, mas avaliou que o problema persiste. Segundo ele, os 20 anos da política também evidenciam a necessidade de mudança de comportamento na sociedade, ressaltando o caráter educativo da iniciativa e a importância de atitudes de respeito em todos os ambientes.

Fiscalização e atuação institucional

Representantes da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes (Agetransp) também participaram do encontro e abordaram o papel da fiscalização.

O conselheiro-presidente do órgão, Adolpho Konder, afirmou que a segurança das mulheres é prioridade e que a agência atua para garantir o cumprimento do direito ao espaço exclusivo.

O vice-conselheiro da Agetransp, Charles Batista, avaliou que, mesmo após duas décadas, o vagão feminino segue como um símbolo de enfrentamento ao assédio, mas observou que a medida precisa estar integrada a outras ações voltadas à proteção das mulheres.

Ampliação do horário

Durante a solenidade, também foi debatida a nova Lei nº 11.143/2026, sancionada na segunda-feira (23), que amplia o funcionamento dos vagões exclusivos para mulheres para 24 horas por dia. A legislação anterior previa a exclusividade apenas em horários de pico, nos dias úteis.

A mudança foi apresentada como uma atualização da política pública diante da persistência dos casos de assédio fora dos períodos anteriormente contemplados.

Desafios no transporte público

A representante da Ouvidoria da Mulher do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Karina Tavares, destacou que a nova legislação reflete uma realidade enfrentada diariamente pelas mulheres. Segundo ela, a criação de espaços exclusivos reforça a responsabilidade do Estado na garantia da segurança no transporte público.

O debate também apontou que, apesar dos avanços legais, o enfrentamento ao assédio depende de ações contínuas, tanto no campo institucional quanto na mudança de comportamento social.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading