‘Alarmante’ e ‘ultrapassado’: entidades de turismo criticam alerta do governo dos EUA sobre insegurança no Brasil

Embratur e Abav Nacional contestam comunicado, que aponta risco de sequestros, crimes violentos e atuação de gangues

Entidades ligadas ao setor de turismo no Brasil reagiram com veemência neste sábado (31) ao novo alerta de segurança emitido pelo governo dos Estados Unidos, que recomenda cautela redobrada aos seus cidadãos ao viajarem para o país.

O comunicado do Departamento de Estado norte-americano, divulgado na página oficial da Embaixada dos EUA em Brasília, classifica o Brasil como um destino com risco de sequestros e violência urbana, citando crimes como assassinatos, roubos à mão armada, furtos de veículos, além da atuação de gangues ligadas ao tráfico de drogas. O documento menciona ainda que turistas americanos já teriam sido alvo de sequestros com pedido de resgate e vítimas de golpes com uso de sedativos em bebidas, especialmente no Rio de Janeiro.

A Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) classificou o conteúdo como “ultrapassado” e “alarmista”. Em nota oficial, o presidente da instituição, Marcelo Freixo, defendeu os avanços recentes em segurança pública e o crescimento do setor. “Esses números refletem uma realidade que se impõe: o Brasil é um destino acolhedor e seguro para os que desejam conhecer sua imensa diversidade natural e cultural”, afirmou.

Nos quatro primeiros meses do ano, 4,4 milhões de turistas estrangeiros

Freixo destacou que, apenas nos quatro primeiros meses de 2025, o país recebeu 4,4 milhões de visitantes estrangeiros — um aumento de 51% em relação ao mesmo período de 2024. Os Estados Unidos aparecem como o segundo maior emissor de turistas ao Brasil, com 306 mil visitantes entre janeiro e abril, um crescimento de 21,7%.

“O Brasil registrou em 2024 os menores índices de violência em 11 anos, resultado de uma articulação federativa eficaz e de políticas públicas consistentes. Repudiamos esse tipo de recomendação alarmista, que mais se presta à desinformação do que à proteção dos cidadãos americanos”, completou o presidente da Embratur.

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav Nacional) também contestou a nota do governo americano. Para a entidade, as alegações não condizem com a realidade vivida pela maioria dos turistas. “Discordamos veementemente da nota emitida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre os riscos de segurança enfrentados por cidadãos americanos em território brasileiro”, afirmou a Abav em comunicado.

Recomendação de evitar áreas perto das fronteiras

Entre as recomendações listadas pelos Estados Unidos estão a de evitar qualquer local a até 160 km das fronteiras do Brasil com países como Bolívia, Colômbia, Paraguai e Venezuela, além de áreas de habitação informal, como favelas e comunidades. Também são citadas as cidades satélites de Brasília — Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá —, especialmente no período noturno.

O documento sugere cuidados como não exibir objetos de valor, manter vigilância sobre alimentos e bebidas, evitar andar a pé ou dirigir à noite, e não resistir em caso de assalto. As orientações, segundo as entidades brasileiras, reforçam estigmas e impactam negativamente a imagem do país no exterior.

Apesar das críticas, a Embaixada dos EUA reiterou que as recomendações fazem parte de uma política global de alerta a cidadãos americanos, com base em registros consulares e avaliações de risco. O Brasil figura atualmente no Nível 2 da escala do Departamento de Estado, que indica “aumento da cautela” para viagens ao exterior.

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