A necessidade de mudança: o futuro do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e do Instituto de História da UFRJ

Localizado no centro histórico do Rio de Janeiro, edifício onde estão o IFCS e o IH é um marco importante, mas já não comporta de forma adequada o cotidiano acadêmico e administrativo que nele se desenvolve

* Paulo Baía

A preservação do patrimônio histórico é uma responsabilidade crucial para qualquer sociedade. Contudo, essa preservação deve ser equilibrada com a funcionalidade e a segurança dos espaços que ocupamos diariamente. O prédio que abriga o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e o Instituto de História (IH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) exemplifica esse dilema. Localizado no centro histórico do Rio de Janeiro, esse edifício é um marco importante, mas já não comporta de forma adequada o cotidiano acadêmico e administrativo que nele se desenvolve.

Os dois institutos abrigados no prédio somam quatro cursos de graduação e cinco programas de pós-graduação stricto sensu. Além disso, existem dezenas de laboratórios e núcleos de pesquisa, uma biblioteca, um restaurante universitário e diversas atividades curriculares e extracurriculares. A circulação diária de mais de 1000 pessoas pelo prédio acentua as demandas por uma infraestrutura segura e funcional, algo que o edifício atual já não consegue oferecer.

A sugestão de que o prédio do IFCS/IH seja transformado em um moderno Centro Cultural ou Museu é, portanto, pertinente. Esse uso alternativo se adequaria melhor à natureza histórica do edifício e permitiria que ele fosse preservado de maneira condizente com sua importância cultural e arquitetônica. Qualquer reforma ou obra destinada a manter suas atuais funções acadêmicas seria superficial e disfuncional, incapaz de resolver os problemas estruturais profundos e o inadequado espaço para uma comunidade acadêmica em expansão.

A responsabilidade de alertar a sociedade civil e a comunidade universitária sobre os riscos e a inadequação do uso atual do prédio é cívica e urgente. A segurança dos alunos, professores, pesquisadores e funcionários deve ser priorizada. Um realocamento para um espaço mais adequado, por mais impopular que possa parecer inicialmente, garantiria um ambiente de ensino, pesquisa e extensão mais seguro e eficiente.

Além disso, evitaria uma potencial catástrofe. A insegurança do prédio do IFCS/IH para seus usos atuais é evidente, com riscos que não podem ser ignorados. A insistência em manter o uso acadêmico no edifício pode levar a acidentes graves, comprometendo vidas e a integridade do patrimônio histórico.

Portanto, a comunidade universitária, em conjunto com a sociedade civil, deve discutir seriamente a realocação dos institutos para um novo local. Essa mudança é essencial para assegurar a continuidade das atividades acadêmicas em um ambiente seguro e funcional, ao mesmo tempo que se preserva a integridade do edifício histórico. Transformar o prédio em um Centro Cultural ou Museu garantiria sua preservação e permitiria que continuasse a ser um marco significativo para o Rio de Janeiro.

Em conclusão, a realocação do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e do Instituto de História da UFRJ é uma medida necessária e urgente. É uma decisão que demanda coragem e visão de futuro, priorizando a segurança e a qualidade do ambiente acadêmico, ao mesmo tempo que honra e preserva nosso patrimônio histórico. A comunidade universitária deve se unir em torno dessa causa, garantindo que o futuro da educação e da preservação cultural sejam igualmente assegurados.

* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.

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