A influência do recrutamento digital aleatório na pesquisa eleitoral: um estudo de caso das eleições municipais no Rio de Janeiro.

A utilização do recrutamento digital aleatório na pesquisa eleitoral apresenta vantagens e desvantagens

* Paulo Baía

Introdução

A pesquisa eleitoral é uma ferramenta fundamental para compreender as dinâmicas políticas e as preferências dos eleitores em um determinado contexto. No entanto, a forma como essas pesquisas são conduzidas pode influenciar significativamente os resultados obtidos. O presente estudo se propõe a analisar a influência do recrutamento digital aleatório (RDR) na pesquisa eleitoral, utilizando como caso de estudo as eleições municipais no Rio de Janeiro.

Metodologia

A pesquisa em questão, conduzida pela AtlasIntel em parceria com a CNN, utilizou o método de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR) para entrevistar 1.239 moradores da cidade do Rio de Janeiro entre os dias 18 e 23 de abril de 2024. Este método permite que os entrevistados respondam ao questionário de forma anônima, sem o potencial impacto psicológico da interação humana durante a entrevista, comuns em pesquisas presenciais domiciliares ou em pontos de fluxo.

Resultados

De acordo com os resultados da pesquisa, o atual prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato à reeleição, Eduardo Paes (PSD), mantém a liderança nas intenções de voto com 42,6%, seguido pelo deputado federal Alexandre Ramagem (PL) com 31,2%. Outros candidatos apresentaram percentuais menores de intenção de voto, com destaque para o deputado federal Tarcísio Motta (PSOL) com 12,7%.

Além disso, a pesquisa aponta que Paes lidera ambos os cenários de possíveis segundos turnos, seja contra Alexandre Ramagem (51% x 36,7%) ou contra Tarcísio Motta (50,3% x 21%).

Discussão

A utilização do recrutamento digital aleatório na pesquisa eleitoral apresenta vantagens e desvantagens. Por um lado, permite alcançar uma amostra diversificada de entrevistados, uma vez que os participantes são recrutados durante sua navegação rotineira na internet. Isso pode contribuir para reduzir possíveis vieses presentes em métodos de recrutamento tradicionais.

Por outro lado, o anonimato proporcionado pelo recrutamento digital aleatório pode dificultar a verificação da autenticidade das respostas e aumentar o risco de manipulação por parte dos entrevistados. Além disso, a ausência de interação humana durante a entrevista pode limitar a compreensão do contexto e das motivações por trás das respostas dos entrevistados.

Conclusão

A pesquisa eleitoral realizada utilizando o método de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR) fornece insights valiosos sobre as preferências dos eleitores nas eleições municipais do Rio de Janeiro. No entanto, é importante considerar as limitações e desafios associados a este método, especialmente no que diz respeito à verificação da autenticidade das respostas e à compreensão do contexto político mais amplo. Pesquisas futuras podem explorar estratégias para mitigar essas limitações e aprimorar a qualidade dos dados obtidos por meio do recrutamento digital aleatório.

* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.

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