A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi acusada por uma ex-diarista de manter grandes quantias de dinheiro espalhadas pela residência onde vivia com a família. As declarações foram dadas por Denise Bastos em entrevista ao Jornal da Record, dias após a prisão preventiva da influenciadora durante a Operação Vérnix, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.
Segundo a ex-funcionária, era comum encontrar maços de dinheiro em diferentes cômodos da casa. Denise afirmou ainda que chegou a registrar em vídeo uma pilha de notas armazenada em uma estante no quarto de um dos filhos da influenciadora.
A diarista relatou que os valores ficavam expostos em locais como gavetas, escrivaninhas e estantes, o que causava temor entre os funcionários da residência. De acordo com ela, os empregados acreditavam que a prática poderia ser uma espécie de teste de confiança para verificar possíveis furtos.
Ex-diarista relata ameaças após acusação de roubo
Denise Bastos também afirmou ter sido acusada de furtar R$ 80 mil da residência de Deolane. Em um áudio divulgado pela ex-funcionária, uma voz atribuída à influenciadora cobra a devolução do dinheiro e faz ameaças.
A ex-diarista declarou que, mesmo negando o suposto furto, passou a receber intimidações. Segundo o relato, pessoas teriam ido até sua casa para pressioná-la, além do envio de mensagens atribuídas a um homem ligado ao crime organizado.
Em uma das mensagens apresentadas, o homem afirma que o dinheiro seria proveniente de atividades criminosas e sugere resolver a situação “de outra maneira”. O interlocutor também teria enviado imagens de câmeras de segurança mostrando Denise deixando a residência com uma sacola, insinuando que o dinheiro estaria no objeto.
Processo judicial e defesa da influenciadora
Denise Bastos entrou na Justiça contra Deolane Bezerra por falsa imputação de crime, calúnia e ameaça. Ela nega qualquer envolvimento no desaparecimento do dinheiro citado pela influenciadora.
A defesa de Deolane afirmou, em nota, que considera desproporcionais as medidas determinadas pela Justiça e reiterou a inocência da influenciadora. Os advogados sustentam que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo judicial.
A empresária foi presa preventivamente na quinta-feira (21), suspeita de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo investigadores, a estrutura empresarial e a exposição pública da influenciadora teriam sido utilizadas para ocultar recursos ilícitos.
Flávio Dino mantém prisão preventiva de Deolane
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de liberdade apresentado pela defesa da influenciadora. A decisão foi assinada no sábado (23) e divulgada neste domingo (24).
No despacho, o magistrado afirmou não identificar ilegalidade evidente que justificasse a revogação da prisão preventiva. Dino também destacou que o STF não deve ser utilizado como instância inicial para contestar decisões de primeira instância.
A defesa havia solicitado a revogação da prisão, a substituição por prisão domiciliar ou a adoção de medidas cautelares. O pedido, no entanto, não foi acolhido pela Corte.
Investigação aponta ligação financeira com o PCC
As investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil apontam que Deolane Bezerra teria ligação com um esquema de lavagem de dinheiro associado ao núcleo familiar de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.
Segundo o inquérito, entre 2018 e 2021, a influenciadora recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados inferiores a R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar o rastreamento financeiro.
Além disso, investigadores identificaram cerca de 50 depósitos destinados a empresas ligadas à influenciadora, totalizando aproximadamente R$ 716 mil. A polícia afirma não ter localizado contratos ou prestação de serviços advocatícios que justificassem os valores movimentados.
Operação Vérnix bloqueou R$ 27 milhões
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e ativos financeiros ligados à influenciadora. A Operação Vérnix também resultou em mandados de prisão contra familiares de Marcola e outros investigados apontados como operadores financeiros da organização criminosa.
Entre os alvos estão o irmão e os sobrinhos do líder do PCC, além de Everton de Souza, identificado como operador do esquema. Parte dos investigados está foragida e teve o nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.
As investigações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos em uma penitenciária no interior de São Paulo. O material continha referências a movimentações financeiras e orientações internas da facção criminosa, levando os investigadores até empresas suspeitas de atuar como braço financeiro do grupo.





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